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Mensagem de 01.05.16


Bem-aventurado o homem, Senhor, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei (Salmos 94.12).

Somente um dia de observação foi o suficiente para Jetro diagnosticar problemas e repreender Moisés em seu trabalho. Considerado um dos maiores líderes da história, Moisés tinha sido educado na melhor ciência do Egito (At 7.22a), era poderoso em palavras e em obras (At 7.22b; Dt 1.1; Dt 34.10-11),  artista inspirado (Êx 25.9),  idealista dedicado (Hb 11.24-25), foi usado por Deus em grande manifestação de poder sobrenatural (Êx 14.31). Mesmo sendo muito qualificado, Moisés desconhecia o perigo que passava: Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr do sol? Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo. Ouve, pois, as minhas palavras; eu te aconselharei, e Deus seja contigo ... Moisés atendeu às palavras de seu sogro (Êx 18.14,17-18, 19, 24). Mas, de nada valeria um claro diagnóstico, repreensão tão específica e conselho tão eficaz se não houvesse, do outro lado, alguém com disposição de aprender, alguém com um coração ensinável.

Observa-se, em Moisés, que o coração ensinável tem capacidade de ouvir pessoas com opinião diferente de suas próprias ideias. É claro que não era ouvir qualquer pessoa. Jetro era confiável, isento, experiente e cheio de sabedoria. No passado, Moisés tinha agido por seus impulsos (quando matou o egípcio), tendo sua vida transtornada. Pior ainda, perdeu a condição de interceder por seu povo. Mas, neste momento de maturidade nos seus oitenta anos, encontramos alguém flexível a ouvir, sabendo que não é o dono da verdade. Suas faculdades mentais estão abertas o suficiente para discernir, imediatamente, a validade daquela direção. Bons conselhos precisam de ouvidos abertos de verdade.

Nota-se, também, que o coração ensinável tem desapego ao status. O conselho teve implicação na repartição do poder de Moisés. Exigiu desprendimento e espírito de servo. Moisés se arrisca ao aparecimento de tantos outros que poderiam ser melhor que ele mesmo. Apesar de sua história de êxito ao libertar o povo, os tempos novos seriam outros e poderiam implicar em ameaça de nova liderança. Moisés não se preocupou com isso. Estava atento a cumprir a vontade e direção de Deus. Mesmo que isso o retirasse da posição de líder maior. Seu coração estava desprendido pelo poder. Bons conselhos exigem morte da vontade pessoal, apegada ao poder ou posição.

Por último, destaca-se que o coração ensinável enfrenta as mudanças necessárias. Como disse alguém, saber e não fazer é não saber. Por isso, tudo só se completa quando Moisés vai adiante e implanta a mudança aconselhada. Mudanças exigem muito mais do que pensamos e calculamos. Exigem determinação, persistência e muita vontade. Determinadas mudanças exigem um renascimento, uma reprogramação mental, um desejo de eliminar determinados hábitos e preferências que só conseguimos quando Deus opera, de fato, em nosso coração. Bons conselhos exigem a atitude necessária para enfrentar as mudanças necessárias.

Assim como na vida de Moisés, Deus quer transformar nossa vida para nosso próprio bem e de todos aqueles que nos cercam (2 Co 3.18; Fp 1.6). Ele sabe o quanto precisamos aprender, desaprender e reaprender. Por isso, dentre outras estratégias, o Senhor nos repreende através de Jetros para nos ajudarem na caminhada. Vale a pena o conselho que vem do próprio coração de Deus e que só é percebido por aquele cujo coração é ensinável. Nas palavras do livro mais antigo da Bíblia: Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso (Jó 5.17).

Ainda bem que o Senhor nos repreende! E, quando repreende, ele nos ensina. Quando nos ensina, somos bem-aventurados.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa