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Mensagem de 19.06.16


Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração (Salmos 119.1-2).


A primeira leitura desses versículos e outros equivalentes (Salmos 106.3; Isaías 56.2; Lucas 11.28) pode levar a nos tornarmos falsos religiosos, em busca do próprio mérito de quem pensa cumprir integralmente toda a lei a ponto de nos tornarmos irrepreensíveis. De escriba, fariseu e louco, todo mundo tem um pouco. Talvez, por isso, em seu último discurso público, Jesus tenha proferido oito ais contra os falsos religiosos. A expressão ai de vós tem tanto um sentido de denúncia, quanto de tristeza do coração do Senhor. Tanto é expressão de advertência, quanto de dor. Tanto aponta o inevitável juízo que trazem sobre si aqueles que vivem a falsa religião, quanto revela o dano causado sobre os que os seguem. Cristo traz importante posicionamento contra a mentira, hipocrisia e falsidade. Assim, vejamos:

Ai dos que pregam a salvação por obras (Mateus 23.13). O sistema farisaico baseado em centenas de leis tornava impossível ao povo cumprir a vontade divina, fechando as portas de acesso a Deus. Só a graça de Deus estabelecida em Cristo abre a porta de acesso ao reino. Qualquer pregação que busca a justiça própria no cumprimento da lei recebe um ai de Cristo

Ai dos que comercializam a fé (Mateus 23.14). Essas autoridades religiosas cobra­vam tributos pesados de viúvas, ou reivindi­cavam parte em sua herança, tudo em nome das longas orações. Todo tipo de serviço re­ligioso que cobra por seu favor e dons rece­be um ai de Cristo.

Ai dos que buscam seguidores de si mesmos (Mateus 23.15). Ao invés de condu­zir a Deus, os judaizantes arrebanhavam se­guidores e prosélitos da instituição, adeptos e partidários de seus próprios interesses. Todo aquele que prega sua instituição, de­nominação ou sua própria liderança acima de Deus recebe um ai de Cristo.

Ai dos que fazem falsos juramentos (Ma­teus 23.16-22). Em vez de ensinar o princípio de cumprir o que se promete, os fariseus encontraram uma fórmula de capacitar o povo a jurar sem a intenção de manter a pa­lavra. Todo aquele que vive enganando, dis­farçando-se na pele de honestidade recebe um ai de Cristo.

Ai dos que confundem as prioridades (Mateus 23.23-24). Os escribas e fariseus buscavam cumprir os detalhes da lei, como dar o dízimo sobre a ninharia da hortelã, mas deixavam de lado atitudes essenciais como a justiça, a misericórdia e a fé. Todo aquele que coa o mosquito, mas engole o camelo recebe um ai de Cristo.

Ai dos que praticam rituais vazios (Ma­teus 23.25-26). A religiosidade foi reduzida à mera obediência de rituais que disfarçavam as atitudes pecaminosas e vergonhosas mo­vidas por ganância e extorsão. Todo aquele que negligencia a busca constante de puri­ficação do coração recebe um ai de Cristo.

Ai dos que mantém falsa aparência (Ma­teus 23.27-28). Os religiosos preocupavam­-se demasiadamente com a imagem externa de pureza, mesmo que estivesse maculada com a imoralidade de pensamentos e inten­ções. Todo aquele que vive em pecado com máscara de santo recebe um ai de Cristo.

Ai dos que rejeitam os profetas (Mateus 23.29-34). Os fariseus diziam honrar seus pais na fé, seus líderes profetas, mas a pró­pria morte de Cristo deixou evidente que isso não passava de mentira. A santidade da presença de Jesus trazia exposição à iniqui­dade daqueles falsos religiosos. Todo aque­le que rejeita os santos e irrepreensíveis que Deus levanta recebe um ai de Cristo.

Jesus é cheio de misericórdia, mas tam­bém é todo justiça. É pleno em compaixão, mas também é puro e santo. Ele nos acei­ta como estamos, mas nos ama o suficien­te para não nos deixar desse mesmo jeito. Somos salvos somente por sua graça, e so­mente por causa dessa graça é que cresce­mos em santidade. Assim, porque ele está vivo e presente em nossa vida, podemos ser transformados de escribas e fariseus em verdadeiros discípulos! A única maneira de nos tornarmos completamente irrepreensí­veis é quando estamos em Cristo, o verda­deiro irrepreensível.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa