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Mensagem de 16.08.15

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós
(Mateus 5.10-12).

Essas palavras caberiam muito bem na boca de Jesus: Se vocês realmente vivem a minha vida, se vocês realmente me seguem, não serão amigáveis e agradáveis para o mundo, mas desprezados e perseguidos por ele. Alegrai-vos por isso! Jesus sabia que atrocidades aconteceriam desde os tempos do Império Romano até sua volta. Seus discípulos não poderiam alcançar naquele momento a causa, a crueldade e o privilégio da perseguição que sofreriam a seguir.

A perseguição tem causa. A partir do instante que deixamos de ser turistas e nos tornamos embaixadores do reino, passamos a andar na contramão deste mundo. A causa de sermos perseguidos é o confronto natural que o reino de Deus e seus valores fazem a este mundo, especialmente pela declaração convicta de Jesus como único Senhor e Salvador. Estamos sob intensa luta espiritual: interior e exterior (Romanos 8.8; Gálatas 1.10; Efésios 6.6). A proposta de vida na presença de Deus é contracultura com o presente século. Jesus mesmo avisou que somos como ovelhas no meio de lobos e que, por nos tornarmos seus seguidores, as pessoas deste mundo nos odiariam (Mateus 10.16,22).

A perseguição tem crueldade. O mundo ficou estarrecido com o vídeo divulgado recentemente pelo grupo terrorista Estado Islâmico mostrando a execução de trinta cristãos etíopes na Líbia. A filmagem apresentou as vítimas caminhando em fila, vestidas com uniformes laranja, antes de serem assassinadas. Os homens foram executados em duas localidades. Quinze cristãos foram decapitados em uma praia e outros quinze acabaram fuzilados em um campo aberto. Jesus havia alertado claramente, em diversas ocasiões (João 16.1-2, 33). Nos primeiros dias da igreja, houve perseguição pelas mãos de Saulo (Atos 7.58; 8.1), ou contra ele mesmo depois que se converteu em Paulo (João 16.1-2, 33). A crueldade nunca cessou totalmente ao longo da história. Nos dias de hoje, segundo Portas Abertas, são cerca de 100 milhões de cristãos perseguidos por sua fé que sofrem restrições, perseguições, prisões ou até mesmo a morte por crer em Jesus Cristo. Os dez países onde os cristãos enfrentaram a maior pressão e violência em 2014 foram: a Coreia do Norte, Somália, Iraque, Síria, Afeganistão, Sudão, Irã, Paquistão, Eritreia e Nigéria.

A perseguição tem privilégio. Lemos na Bíblia a morte dramática do diácono Estêvão. Martirizado pela sua fé em Jesus, no momento que seus agressores enfureciam seus corações e rilhavam seus dentes em preparação à execução, Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava a sua direita. Recebia consolo e conforto pela visão, enquanto os extremistas arremetiam-se contra ele, lançando-o fora da cidade para, finalmente o apedrejarem. Ao invés de sentir autopiedade, ou ter qualquer sentimento de vingança, Estêvão encontrou forças para clamar em alta voz por si e pelos seus algozes: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Senhor, não lhes imputes este pecado! (Atos 7.59-60O Jesus que ele via havia prometido que aqueles que sofrem perseguição podem alegrar-se e jubilar-se, pois será grande o galardão que receberão nos céus. Isso mesmo, receberão presentes inefáveis (1 Coríntios 2.9) e desfrutarão da glória eterna, como disse Paulo: a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas (2 Coríntios 4.17-18).

Não procuramos, não desejamos, mas também não ignoramos a perseguição. Ela é real e está presente nos dias de hoje. Ostensivamente em países fechados ao evangelho, ou, sutilmente, ao nosso redor. Não precisamos temer, mas fortalecer uns aos outros no Senhor. Caso ela venha sobre nós, vamos nos lembrar da promessa: felizes os que forem perseguidos.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa