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Mensagem de 30.08.15

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Mateus 5.4).
 

Enquanto para muitos o choro é sinal de fraqueza, debilidade e derrota, Jesus, mais uma vez, surpreende afirmando que é caminho para a felicidade. A falta de choro reflete altivez, autossuficiência, indiferença, dureza, ou frieza de coração. Não à toa é infeliz quem não chora. Já o choro faz parte de um coração sensível, interessado, comprometido.

A força da afirmação de Jesus está lastreada no fato de que ele mesmo chorou em pelo menos três circunstâncias especiais. Evidentemente, não foi qualquer tipo de choro. Não chorou por desespero, pois jamais perdeu a esperança. Não chorou para reivindicar a atenção do Pai, como uma criança mimada, pois jamais duvidou do amor do Pai por ele. Não chorou por medo da morte, pois tinha plena convicção da ressurreição. Não chorou por egoísmo, pois jamais houve alguém com tamanho altruísmo como o seu. Não chorou de raiva ou revolta, pois tais sentimentos jamais tocaram seu coração.

Jesus chorou pelo amigo. Quando se achegou diante do túmulo de Lázaro, ficou assim registrado: Jesus chorou (João 11.35). O menor versículo da Bíblia revela o maior coração da humanidade. Jesus chorou porque sofreu. Não ignorou sua dor. Jesus chorou porque se aproximou dos que choravam, viu a dor com seus próprios olhos, comoveu-se pela família e compadeceu-se pela comunidade que sofria a morte. Chorou, pois chora com os que choram. Chorou, pois era amigo. Chorou, pois era irmão. Chorou a perda. Chorou o luto. Chorou, pois não evitou sentir nossa dor. Chorou, pois é natural chorar. É, portanto, feliz aquele que tem o coração sensível para chorar pela perda de alguém amado.

Jesus chorou pelo povo. Todos estavam em festa ao receberem Jesus em Jerusalém, cantando, ovacionando e estendendo suas capas no caminho, como que fazendo um tapete para o Rei passar. Contudo, em meio aos cheios de alegria, Jesus, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela (Lucas 19.41 - RC). Além das palmas, via os corações. Além do barulho, discernia os pensamentos. A palavra grega utilizada significa um choro intenso, com soluços. Jesus soluçou sobre a cidade, sobre a nação. Ele sofreu uma profunda angústia, expressando-a por sinais de ais, gemidos e dor. Não reclamou, nem murmurou, muito menos imigrou, mas chorou. Sabia que os compatriotas não reconheciam que Deus veio para salvá-los. Sabia que o povo seria saqueado, roubado, destruído e não sobraria pedra sobre pedra. De fato, no ano 70 d.C., Jerusalém foi destruída confirmando o alcance e motivo daquele choro. É, portanto, feliz aquele que tem o coração sensível para chorar pela frieza da nação.

Jesus chorou pelo pecador. O autor de Hebreus revelou: Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade (Hebreus 5.7). O texto refere-se à agonia do Getsêmani, quando Jesus não apenas suou sangue, mas também orou com forte clamor e lágrimas, demonstrando grande peso pela culpa humana. Aquele que não tinha pecado, chorou o pecado de todos nós. Pranteou o choro do arrependimento, da contrição, da vergonha, do embaraço, do constrangimento. Chorou o nosso choro, o choro substituto. Chorou em nosso lugar. Seu choro foi ouvido pelo Pai por causa de sua piedade, compaixão, santidade. É, portanto, feliz quem tem o coração sensível para chorar quando percebe que entristeceu ao Senhor de alguma maneira.

Para nossa alegria, Jesus não teve os olhos secos, coração indiferente, atitude fria e distante. Chorou diante dos irmãos, diante do povo e diante do Pai. Porque ele chorou, há esperança para os que choram. Lágrimas de arrependimento serão consoladas pelo perdão. Lágrimas de luto serão consoladas pela ressurreição. Lágrimas da adversidade serão consoladas pela maturidade e confiança. Jesus ensina o choro que limpa, cura, renova, levanta, refaz, consola, anima, vivifica, fortalece e gera verdadeira felicidade. Esse choro tem data de validade, tempo de duração. Isso mesmo, nosso choro já foi predestinado a cessar, pois haverá um dia quando todas as nossas lágrimas serão enxugadas (Apocalipse 21.4) e os que choram no Senhor serão, por completo, consolados.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa