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Mensagem de 26.06.16

E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço (Mateus 11.6).
 

A expressão “motivo de tropeço” vem do grego skandalízō e significa escandalizar no sentido de se sentir ofendido ou chocado. Jesus afirma que são felizes as pessoas que não se sentem ofendidas com ele. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje interpretou assim: Felizes são aqueles que não abando­nam a sua fé em mim! (Mateus 11.6), ou no correlato texto de Lucas: Felizes são as pes­soas que não duvidam de mim! (Lucas 7.23). Essa afirmação de Jesus está inserida no contexto da visita que recebeu dos discípu­los de João Batista para confirmarem se ele era mesmo o Messias ou se deveriam espe­rar por outro.

João Batista havia pregado sobre a vinda do Messias como um grande libertador que traria justiça e juízo. Mas não era isso que es­tava vivendo. Pelo menos em sua perspec­tiva. Ao contrário, João Batista estava preso. As notícias que circulavam nos bastidores da masmorra eram das piores. Sua vida es­tava por um fio. Como qualquer um de nós, João Ba­tista corre o risco de entrar em desespero, vitimizar-se e ser tomado por um sentimen­to de desânimo e desilusão.

Sua fama como pregador duro e firme diante de quem milhares se arrependeram, dá margem a pensarmos como João era re­sistente. Não era do tipo que se ressentia, ou se deixava ofender facilmente. Por isso, Jesus mandou o reca­do firme e direto para levantá-lo. Na linguagem popular, Jesus chega chegando, chega dando um chega pra lá, chega rasgando. Como se dissesse: “Relate a João Batista as obras poderosas que fiz e mande-o ficar firme na fé, nada de voltar atrás. Só assim será feliz!”

Da mesma maneira o Senhor havia se achegado quando Jó estava no pó e na dra­ga. Não se aproximou com delicadeza, nem preocupado. Ao contrário, em resposta às dezesseis perguntas de Jó feitas nos capí­tulos anteriores, Deus faz setenta perguntas em seu maior discurso registrado nas Es­crituras (capítulos 38 a 41 de Jó). Definitiva­mente Deus chega mostrando seu poder e autoridade, enquadrando quem duvida dele, colocando seu interlocutor no devido lugar. Ao contrário do que se esperava, depois dessa firme aparição do Senhor, Jó fez sua linda declaração: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me ar­rependo no pó e na cinza (Jó 42.2, 5-6). Sua de­claração de fé foi porque sentiu segurança na firme resposta do Senhor, antes mesmo de ter sido restituído pelo Senhor em sua saúde, bens, família e dignidade.

Assim como João Batista ou Jó, você já ficou decepcionado com Jesus alguma vez? Já pensou que toda a sua fé podia ser um grande engano? Já pensou que Jesus não correspondia ao que você esperava? Já pensou que ele foi injusto com você? Saiba que isso pode acontecer até aos melhores servos de Deus. Jesus nem sempre faz o que esperamos que faça. Mas isso é para o nosso bem. Assim como Jesus não despre­zou as dúvidas de João Batista, ele não des­preza seus questionamentos. Para aumentar nossa fé, ele confronta dizendo que a felici­dade está reservada para quem não aban­dona a fé, para quem não duvida dele, para quem não se escandaliza quando as coisas parecem ter saído do controle de Deus. Ele sabe que a fé não é uma força inabalável que esmaga dúvidas e expulsa a incerteza, mas, embora possa ficar sem respostas, a fé continuará firme de pé. Quando assim esti­vermos, felizes seremos.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa