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Mensagem de 06.03.16

Eu afirmo a você que isto é verdade: hoje você estará comigo no paraíso (Lucas 23.43 – NTLH).

Como disse George Macleod: “Jesus não foi crucificado numa catedral entre dois candelabros, mas numa cruz entre dois ladrões; no lixão da cidade; num cruzamento tão cosmopolita que tiveram de escrever seu título em hebraico, latim e grego ... no tipo de lugar onde os cínicos falam obscenidades, os ladrões blasfemam e os soldados jogam. Foi aqui que ele morreu e por isso morreu”.

Um dos ladrões que estava na cruz ao lado juntou-se à multidão escarnecedora para provocar Jesus, dizendo: Você não é o Messias? Então salve a você mesmo e a nós também! Porém o outro o repreendeu, dizendo: Você não teme a Deus? Você está debaixo da mesma condenação que ele recebeu. A nossa condenação é justa, e por isso estamos recebendo o castigo que nós merecemos por causa das coisas que fizemos; mas ele não fez nada de mau. Compreendendo que estava diante da santidade de Jesus e de sua condição de perdido pecador, acrescenta: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Mas, a resposta de Jesus foi muito além do que o ladrão pediu: hoje você estará comigo no paraíso.

Foi além do futuro remoto. Enquanto o ladrão referia-se à possibilidade - “quando vieres” - Jesus responde com firmeza - “hoje”. De alguma maneira, aquele malfeitor crucificado tem a revelação que a morte não seria o fim de Jesus. Algo viria depois. Mas era uma compreensão parcial e nebulosa. A resposta de Jesus, por outro lado, é cheia de certeza. Não somente haverá um futuro, como “hoje” mesmo começa uma nova vida para o malfeitor que se arrepende. Hoje mesmo! Como se estivesse repetindo as palavras do salmista: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração (Sl 95. 7-8a). Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei (Sl 2.7). De fato, Jesus é Senhor do realizado, efetivado, executado. Sua soberania não pode ser resistida, sua vontade não pode ser impedida, suas promessas não podem ser frustradas. Ele é senhor do “hoje” para todo sempre!

Foi além da lembrança impessoal. Enquanto o ladrão pedia timidamente - “lembra-te de mim” - Jesus responde com convicção contagiante - “estará comigo”. Não simplesmente estará no céu. Sua resposta é que aquele ladrão estava sendo conduzido ao relacionamento pessoal com Jesus para toda a eternidade. Jesus já tinha prometido aos seus discípulos: eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (Mt 28.20), não vos deixarei órfãos (Jo 14.18a). Agora sua promessa é estendida a quem acaba de se entregar, com a mesma intensidade: estará comigo! Mesmo que passemos pelo vale da sombra da morte, como aquele malfeitor, não precisamos temer mal nenhum, porque o Senhor está conosco (Sl 23.4).

Foi além do lugar desconhecido. Enquanto o ladrão referia-se ao desconhecido - “reino” - Jesus define que o lugar já é conhecido por ele e a palavra que mais se aproxima para descrevê-lo é “paraíso”. Traz uma expressão mais próxima do novo amigo, fazendo uso de uma figura que desperta seu imaginário, promovendo consolo imediato, alívio, esperança. Ora, quando o apóstolo Paulo foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir (2 Co 12.4), passou a entender que era incomparavelmente melhor partir e estar com Cristo (Fp 1.23), que o morrer era lucro (Fp 1.21). Com tão poucas palavras com a força que lhe restava, Jesus estava ministrando esperança ao novo amigo. Por isso, quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus (Ap 2.7).

Jesus compreende nossas necessidades muito além de nossas próprias petições. Assim ele agiu na cruz, assim ele continua agindo. Seu coração ultrapassa nossa percepção (Ef 3.20). Nele temos toda a provisão para a vida. Ele continua dizendo a todo aquele que dele se aproxima desejando ser salvo: hoje você estará comigo no paraíso.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa