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Mensagem de 15.06.14


Romanos 14.17

Estamos refletindo neste mês de junho sobre o tema “O reino de Deus”. Já vimos nas Tardes de Esperança as parábolas do reino: “A parábola do semeador” e “A parábola do grão de mostarda”. Aos domingos vimos: “A realidade do reino de Deus” e “A autoridade do reino de Deus”. Hoje vamos refletir sobre qual é a natureza do reino de Deus.

Em Romanos 14.17 o apóstolo Paulo está nos apresentando a natureza desse reino. O contexto de Romanos 14 é o ensino de Paulo para os cristãos em Roma que estavam em litígio sobre o que deveriam comer, beber ou fazer (dias especiais). Eram os judeus convertidos que traziam regras da lei versus os gentios convertidos que agiam livremente.

Para entendermos um conceito novo, antes é necessário desconstruirmos os conceitos antigos, por isso Paulo ensina dizendo primeiro o que não é reino de Deus. Quando pensamos em reino vêm à nossa mente poder, riquezas, posses etc. Mas Paulo diz que o reino de Deus não é comida nem bebida porque essas são transitórias, o reino é eterno; comida e bebida falam dos prazeres da carne, reino de Deus fala do que é espiritual. Então, do que é composto o reino de Deus, ou qual a natureza do reino de Deus?


1.O reino de Deus é justiça

Segundo nosso dicionário, justiça é a virtude que consiste em dar ou deixar a cada um, o que por direito lhe pertence. Toda injustiça e tudo o que agride e desvaloriza o ser humano revela o antirreino.

Jesus mostrou com suas ações que o reino de Deus estava operando por intermédio dele (milagres, libertação, valores), sendo que a maior manifestação de justiça do reino é a nossa reconciliação com o Pai. Em Romanis 5.1, Paulo escreve: Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

Para fazermos parte do reino de Deus, não é preciso e nem possível fazer justiça com as próprias mãos, ou ainda, tentar se justificar dos pecados por meio de penitências, rituais ou qualquer outra boa obra. Nossa maior retidão ou justiça, diante do padrão da santidade de Deus, seria como trapo de imundícia (Isaías 64.6). Existem duas dimensões do pecado: a transgressão que é o pecado realizado; a iniquidade é a inclinação de pecar. Matar é transgressão, enquanto ódio é iniquidade (Mateus 5.21-22). Adulterar é transgressão, enquanto olhar impuro é iniquidade (Mateus 5.27-28). Por isso, o apóstolo João foi muito claro ao declarar que se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós (1 João 1.8). Por isso, somente em Cristo encontramos justiça perante Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5.21).

A boa notícia é que nós já fomos justificados (tornados Justos). O escrito de dívida que havia contra nossa vida, foi rasgado (Colossenses 2.14). Por isso ao orarmos “venha o teu reino” podemos estar certos de que em Cristo a obra de nossas mãos são obras de justiça.


2.O reino de Deus é paz

A paz que o reino de Deus dá é consequência natural da justiça. O salmista declarou que a paz e a justiça se beijam (Salmos 85.10). O profeta ensinou que o efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre (Isaías 32.17). O contrário da paz em nosso interior é a ansiedade, por isso Jesus ao apresentar o reino de Deus como prioridade (Mateus 6.25-34), nos ordena a que não andemos ansiosos nem fiquemos inquietos pela vossa vida, quanto ao que havemos de comer, beber ou vestir (Mateus 6.25).

Isso não significa ausência de lutas. A paz que Deus nos dá é experimentada mesmo quando estamos no meio de lutas. A figura que usamos é a de um tornado. Em volta há muito barulho, agito e destruição, mas no centro há muita calmaria. É quando você e eu experimentamos o que é descansar nos braços do Pai, quando experimentamos nosso socorro bem presente na hora da angústia.

Muitos desejariam comprar uma porção de paz com os seus bens (comida, bebida e roupas), caso isso fosse possível. No reino de Deus somos convidados a apresentar tudo a ele através das orações, súplicas e ações de graça e, assim, experimentarmos em nossa mente e coração a paz que excede toda e qualquer compreensão, é a paz gerada por Deus (Filipenses 4. 4-7; Gálatas 5.22). Assim a paz que teremos no céu (Apoalipse 21.4 - ainda não), já pode ser experimentada hoje (já). Essa paz está disponível somente em Jesus Cristo, o príncipe da paz.


3.O reino de Deus é alegria

É verdade que existem muitas situações que nos deixam mais ou menos alegres. Quando temos boas notícias ou más notícias (Copa), mas não posso concordar com quem diz que não existe alegria, mas somente momentos alegres.

Me impressiona a afirmação de Paulo em Filipenses 4.11-12:aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez”. Vejamos em quais situações Paulo foi envolvido: 2 Coríntios 6.4-10; 2 Coríntios 11.23-33, dentre outras.

Vamos aprofundar mais isto. Paulo diz em 2 Coríntios 4.16-18: Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não vêem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.

O que nos tem entristecido hoje? A alegria promovida pelo reino de Deus em nós é consequência da justiça (Cristo) e da paz (Cristo), ela independe das circunstâncias, ela não é daqui, provém do Pai. A nossa alegria não está nas coisas que podemos ter e perder, a nossa alegria é uma pessoa, Jesus.


Conclusão

Comida, bebida e vestimenta são coisas boas, porém, secundárias, podem ser dadas e tiradas. O reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Ele é a fonte e já está dentro de nós (Lucas 17.21) e isso não pode ser tirado. Assim, vivamos o reino promovendo a justiça, vivendo em paz e desfrutando da alegria do Espírito Santo.

Rev. Pedro Leal Junior