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Mensagem de 10.04.16
 

Disse Gideão a Deus: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira; se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então, conhecerei que hás de livrar Israel por meu intermédio, como disseste. E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada e, apertando a lã, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água. Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. E Deus assim o fez naquela noite, pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho (Juízes 6.36-40).

Mais uma vez, o povo estava distante de Deus, fazendo o que era certo aos seus próprios olhos, mesmo sendo mau perante o Senhor (6.1). A consequência não poderia ser outra senão sofrimento e opressão. Desta vez, sob o domínio dos midianitas, o povo foi saqueado, feito escravo, sofreu a miséria da falta de sustento. A história se repete: sempre que nos afastamos do Senhor e de sua Palavra, inevitavelmente sofremos consequências duras e indesejáveis. Em meio à trágica situação, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. Como nosso Deus é cheio de misericórdia, respondeu enviando um profeta para dar palavra de esperança (6.8-9). A partir disso, nasce a linda história da oração de Gideão demonstrando seu relacionamento pessoal, relevante e genuíno com o Senhor.

Sua oração mostra relacionamento pessoal, pois o Senhor se faz presente: Veio o Anjo do Senhor, e assentou-se (6.11). A visita pessoal do Anjo do Senhor (6.11-21) deixou clara sua palavra e vontade para Gideão. Aliás, o engajamento do líder nasce da escolha de Deus e não de um projeto pessoal de Gideão. Não foi um monólogo, mas um diálogo. Sem a presença de Deus, orações são palavras soltas no ar, sem efeito qualquer na vida. É importante observar que, segundo a Bíblia, algumas situações interrompem esse relacionamento verdadeiro e pessoal, tais como: desrespeito ao cônjuge (1 Pe 3.7), desprezo aos pobres (Pv 21.13), falta de perdão (Mt 5.23-24; 2 Co 2.10-11), egoísmo (Tg 4.3-4), pecado (Is 59.2; Sl 66.18; 1 Co 11.28-31) e incredulidade (Tg 1.6-7). A boa notícia é que a obra de Jesus na cruz rasgou o véu que nos separava, dando completo e verdadeiro acesso ao Pai (Mt 27.51; Hb 10.19ss) e sua Palavra já foi totalmente revelada para nos dar toda orientação na vida (2 Tm 3.16).

Sua oração mostra relacionamento relevante, pois seu conteúdo gira em torno da missão de Deus dada a Gideão: Se hás de livrar a Israel por meu intermédio (6.36). O movimento do Senhor é sempre para trazer libertação e salvação ao seu povo. É necessário compreender que não estamos vivendo simplesmente para nós mesmos, mas, no Senhor, temos uma causa real, uma missão, uma vida que pode e deve ser alinhada com a agenda de Deus. Nesse sentido é que a conversa que ele tem com Gideão culmina nas palavras: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? (6.14). A boa notícia é que Jesus nos deixou uma clara missão ao redor da qual sempre desenvolverá conosco um relacionamento relevante: ser e fazer discípulos de Cristo (Mt 28.19).

Sua oração mostra relacionamento genuíno, pois Gideão apresenta sua incerteza com pureza de coração: Rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã (6.39). Ousadamente, talvez à beira da inconsequência de o Senhor acender contra ele a sua ira, Gideão insiste em provas que confirmem aquela direção dada pelo Senhor. Sabia que o desafio seria muito grande. Em hipótese alguma sua atitude autoriza qualquer tipo de “bingo bíblico”, “roleta gospel”, “cara ou coroa espiritual” como forma de determinar a vontade de Deus por meio de sinais. Ao contrário, percebe-se que um homem cheio do Espírito (O Espírito do Senhor revestiu a Gideão – 6.34) sofre com dúvidas, dificuldades de discernimento, vulnerabilidades da fé, fragilidades na confiança no Senhor. Sua franqueza e transparência inspiram orações sem falsidade e uma busca exaustiva e intencional para se ter certeza da direção divina. Ao atender pacientemente, o Senhor mostra que não houve reprovação ao gesto. A boa notícia é que Jesus continua sendo gentil e amoroso com todo aquele que se aproxima dele dizendo: Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé! (Mc 9.24).

O resultado final dessa oração pessoal, relevante e genuína foi a vitória contundente sobre a grande multidão do exército dos midianitas (6.5) com apenas trezentos homens, seguindo-se quarenta anos de paz e prosperidade de Israel (Juízes 8.28). O livramento vem do Todo-Poderoso que se importa com seu povo.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa