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Salmos 88

Sofrimento, abandono, solidão, dor, enfermidade, desgraça, morte são assuntos sempre presentes no dia a dia da humanidade. Apesar de a morte ser uma grande certeza que temos na vida, nós não conseguimos nos adaptar a ela. Lutamos contra ela todos os dias. Este salmo traz a súplica de um indivíduo que sofre inocentemente, ou seja, sua dor não tem uma causa plausível. Por este motivo ele coloca Deus na sua soberania como o causador de seu sofrimento e de sua morte iminente. Nos dias de hoje também presenciamos muitas tragédias em vidas inocentes que não conseguimos explicar, ou que tentamos explicar como fazendo parte da soberania de Deus mas que, no fundo, permanecem sem respostas.

Uma das lições que podemos aprender com este sofredor é que seja qual for o motivo, ou a intensidade, ou o tempo do sofrimento, em Deus devemos nos agarrar, pedir ajuda, suplicar (vv 1-2). Deus é soberano, controla a nossa história, nada acontece em nossa vida por acaso. Sendo assim, somente ele pode mudar toda e qualquer situação. A segunda lição que podemos aprender é que temos plena liberdade de questionarmos o sofrimento diante de Deus (vv 3-5). Precisamos ser completamente transparentes com Deus. Nada que falarmos para ele vai modificar o amor que ele tem por nós, nada vai pegá-lo de surpresa, até mesmo se acharmos que ele é o culpado por nosso sofrimento (vv 6-8). Podemos inclusive argumentar e arrazoar com ele nosso ponto de vista, tentar convencê-lo a mudar de ideia (vv 9-12). A terceira lição deste salmo é que devemos perseverar em crer, perseverar em pedir, perseverar em suplicar, perseverar em insistir. Apesar do intenso e duradouro sofrimento (desde a mocidade), o salmista nunca deixou de suplicar a Deus, nunca perdeu a esperança. Quanto mais sofre, mais suplica. Ele não virou as costas para Deus, não deixou o sofrimento separá-lo de Deus.

Este salmo caberia muito bem nos lábios de Jesus em sua oração agonizante no Getsêmani. Jesus é o servo sofredor inocente. Abriu mão de sua glória, foi humilhado, traído, abandonado pelos seus, padeceu dores, enfrentou a morte. Em todo tempo sua súplica foi direcionada a Deus; foi transparente com Deus, questionando o seu abandono e perseverou até o fim, entregando seu espírito a Deus. Mas diferente deste salmista que, aparentemente, ficou sem resposta, Jesus abriu o caminho para transformar nosso lamento em esperança. Por meio de sua ressurreição ele trouxe novidade de vida e vida eterna. É nesta esperança que devemos nos fortalecer para os momentos de sofrimento e morte. Deus além de se identificar e se solidarizar conosco, resolve nosso sofrimento de uma vez por todas. Glória seja dada ao nosso maravilhoso Deus.

 

Revª Cibele Ribarolli Pereira Montosa