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Mensagem de 27.03.16


Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico, onde o crucificaram... (João 19.17-18).


A cruz é tema central (“crucial”) do Evangelho. No NT, o substantivo aparece 28 vezes e o verbo 46 vezes, mostrando sua relevância. De maneira direta, “pregação do Evangelho” é sinônimo da “pregação do Cristo crucificado” (1 Co 1.17ss). Sem a “palavra da cruz” a pregação pode ser qualquer coisa, menos evangelho.A cruz é símbolo de duas dimensões contrárias e antagônicas. Do lado da humanidade – por causa de cada um de nós – cruz simboliza transgressão, iniquidade, pecado, condenação, punição, maldição, sofrimento, humilhação, vergonha, desespero, morte, trevas. Do lado divino – por causa de Cristo – cruz simboliza sacrifício, substituição, redenção, salvação, reconciliação, amor, graça, esperança, sabedoria, glória, luz. De um lado, crise. Do outro lado, conserto. Eis a principal realização da cruz: conserto das crises da humanidade.

A cruz consertou a crise política: relacionamento com “quem manda” no Mundo. Quando o pecado entrou na história, o governo das nossas vidas foi transferido a quem a humanidade passou a obedecer: Satanás. É importante entender que obediência é o lastro da autoridade. Jesus veio para quebrar este jugo, pois não obedeceu em nada a Satanás, senão ao Pai celestial. Por isso, está escrito:

    Cl 2.15: e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

    Mt 28.18: Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

A cruz consertou a crise ecológica: relacionamento com a criação. A obra da cruz inclui o resgate completo de toda a criação. Sabemos que a crise ecológica é grande. Não tornou-se insustentável, por causa da obra de cruz.

    Cl 1.20: e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

    Rm 8.19-21: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. (leia de 18-24)

A cruz consertou a crise teológica: relacionamento com Deus. Mesmo retirando de Satanás a autoridade, o pecado havia trazido separação entre nós e Deus. Por causa da cruz, fomos redimidos (nossos pecados foram pagos), remitidos (remissão de pecados = dados como quitados) e remidos (resgatados para a presença de Deus).

    Is 59.2: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

    Cl 2.14: tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;

    Rm 5.10a Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho.

A cruz consertou a crise psicológica: relacionamento consigo mesmo. O pecado distorceu nossa imagem sobre nós mesmos, consciência de quem somos, estima própria. Fui perdoado e sou amado. Não sou mais governado pelos impulsos incontroláveis que geram morte.

    Jo 3.16: (na primeira pessoa) Porque Deus me amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que eu que nele creio não pereça, mas tenha a vida eterna.

    Gl 2.19: Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo.

    Rm 6.6: sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.

A cruz consertou a crise sociológica: relacionamento com outras pessoas. Diante da cruz, todos somos absolutamente iguais: necessitados da graça perdoadora de Cristo. Não há ninguém maior, nem melhor. Não há diferença de nação, etnia, povo, raça, gênero, posição social, econômica, cultural etc. A cruz nos faz “um”.

    Ef 2.14, 16: Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade ... e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.

Como disse o apóstolo Paulo, certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus (1 Co 1.18).  Vamos, pois, nos alegrar com a realização da cruz de Cristo, pois ela revela o poder de Deus para nos salvar. Louvado seja o Senhor pelo seu grande amor!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa