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Mensagem de 23.03.14


Gênesis 28.10-22

Estamos caminhando no tema central “Conhecendo a Deus”. Já vimos que conhecemos a Deus na vida do outro, como Rute e na última hora, como o ladrão da cruz. Hoje nosso personagem central é Jacó.

Neto de Abraão e filho de Isaque e Rebeca (“Ó Deus de Abraão, Isaque e Jacó”) era irmão gêmeo de Esaú. Jacó era mais afeto às coisas da casa (tendas), homem pacato, seu nome significava suplantador ou enganador. Esaú era homem voltado para caça e tinha como característica ser cabeludo em todo o corpo (Esaú=cabeludo). Uma família à primeira vista normal, como a nossa, mas envolvida em uma grande trama, digna de novela mexicana.


1.A fuga

Esaú era o primogênito e tinha privilégios com relação à sua família e herança, porém Jacó o enganou por duas vezes, tirando-lhe o direto de primogenitura (trocou por um prato de lentilhas – Gênesis 25.27-34) e roubando-lhe a bênção que lhe pertencia (Gênesis 27.1-36). Esaú passou a odiar seu irmão (Gênesis 27.41) prometeu matá-lo assim que seu pai Isaque morresse. Orientado por sua mãe Jacó agora foge da presença de seu irmão.

Havia um problema gerado durante o relacionamento, havia uma mágoa no coração de Esaú, havia mentiras que precisavam ser esclarecidas, havia a necessidade de que o perdão fosse liberado nessa família. Mas Jacó, ao invés de tratar de frente os problemas e de quem ele era, preferiu fugir.

Qualquer semelhança comigo e com você não é mera coincidência, muitas vezes você e eu achamos que é melhor fugir. Fugimos da verdade com uma bela mentira em nome do suposto bem-estar de todos, fugimos dos problemas do casamento em divórcios e novos casamentos achando que isso irá resolver o problema que está dentro de nós, fugimos das lutas internas em mais um copo de bebida ou mais uma carreira ou pedra de drogas, fugimos do diálogo para resolver os problemas no ativismo, excesso de trabalho, brincadeiras excessivas, televisão, esportes ou outra coisa. Podemos estar em fuga nessa hora e nem percebemos. Pare de fugir, nossas lutas somente serão resolvidas quando conhecermos a Deus com profundidade e deixarmos ele trabalhar nossos corações.

Quero falar de uma outra fuga (fora do texto), mas muito importante. Talvez você já conheça a Deus, mas tem tentado fugir dele e de um envolvimento maior com seu reino. Me reporto a Jonas, chamado para pregar em Nínive, fogiu para Társis. Conhecemos a história, seu navio é envolvido por uma tempestade e ele foi jogado no mar e recolhido por um grande peixe. Jonas 1.10: Então, os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe disseram: Que é isto que fizeste! Pois sabiam os homens que ele fugia da presença do Senhor, porque lho havia declarado. Quem sabe você tem tentado fugir de Deus e de seu chamado, seja para uma vida mais íntima com ele ou para uma obra específica que ele tem te chamado.

Lembro-me do Salmo 139.7-12: Para onde me ausentarei de teu Espírito? Para onde fugirei de tua face? (v 7). O que na nossa vida hoje significa fuga?


2.O encontro

O local em que estava era desconhecido, sua cama era o deserto, seu travesseiro uma pedra, estava cansado em meio a uma longa jornada. Vinha da casa de seus pais, Isaque e Rebeca, que ficava na cidade de Berseba. Seu destino era a casa de parentes próximos na terra de Padã-Harã, sua missão era encontrar uma esposa entre seus parentes. Sua viagem era apressada, pois estava em fuga.

O encontro é surpreendente. Enquanto dormia, Jacó sonhou e teve uma visão através da qual Deus vem a seu encontro. Por mais que eu tente ou outra pessoa tente, não vamos compreender o porquê de Deus vir ao encontro de um homem como Jacó. Sua ficha era complicada, famoso 171, nem aí com Deus ou com seus valores, mas mesmo em meio à fuga foi surpreendido por um Deus amoroso, que apesar de saber quem ele era e de tudo o que tinha feito, veio ao seu encontro. Não foi Jacó quem buscou a Deus, mas Deus encontrou a Jacó durante sua fuga. Muitas vezes você e eu não estamos com nossos corações voltados para Deus, estamos fugindo para lá e para cá dando “cabeçadas” nos travesseiros de pedra da vida, mas ainda assim, o coração de Deus está voltado para nós, ele nos ama tanto que se faz conhecer, vindo ao nosso encontro.

Jacó foi surpreendido ainda por um Deus abençoador, pois o conheceu como o Eu sou (Gênesis 28.13), Senhor absoluto que resolvera abençoá-lo dando a ele e à sua família a terra em que estava, e fazendo com que sua descendência se tornasse tão numerosa como o pó da terra e que, por meio dela, fossem abençoadas todas as famílias da terra. Assim como Jacó, nós não somos merecedores, mas Deus tem prazer em se fazer conhecer a nós derramando toda sorte de bênção sobre nossa vida, nossa família e próximas gerações.

Jacó foi surpreendido também por um Deus temível, pois passou a temê-lo e levá-lo a sério em sua vida: e temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus (Gênesis 28.17). Agora, ergue um altar e derrama azeite sobre ele como oferta para Deus, faz um voto de compromisso e fidelidade e chama o lugar onde estava de Casa de Deus (Betel). Ele quer se fazer conhecer como um Deus Santo, digno de ser levado a sério, de nossa adoração e nosso compromisso.


Conclusão

Jacó conheceu a Deus enquanto fugia. Teve seu nome mudado de Jacó para Israel (príncipe com Deus). Chegou a nossa vez, chega de fugir! Uma escada até os céus já foi posta para nós. A escada é Jesus. Em João 1.51 o próprio Jesus dirigindo-se a Natanael diz: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.

Conheçamos a Deus e prossigamos em conhecê-lo!

Rev. Pedro Leal Junior