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Mensagem de 11.10.15
 

Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Cafarnaum. Quando já estavam em casa, Jesus perguntou aos doze discípulos: — O que é que vocês estavam discutindo no caminho? Mas eles ficaram calados porque no caminho tinham discutido sobre qual deles era o mais importante. Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: — Se alguém quer ser o primeiro, deve ficar em último lugar e servir a todos. Aí segurou uma criança e a pôs no meio deles. E, abraçando-a, disse aos discípulos: — Aquele que, por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará também me recebendo. E quem me receber não recebe somente a mim, mas também aquele que me enviou (Marcos 9.33-37 - NTLH).
 

É fato que, quando duas pessoas conversam, existem pelo menos três conversas acontecendo: aquela falada entre elas e aquela voz interior que cada uma tem. Distância zero significa fundir as três conversas, transformando-as em somente uma. Como no exemplo vivenciado entre Jesus e seus discípulos, devemos aprender a conversar com clareza todos os assuntos da vida.

A conversa com clareza, segundo Jesus, entende, de verdade, o que o outro está pensando. Isso se faz com perguntas e não com suposições, conjecturas e hipóteses. Embora Jesus soubesse o que lhes passava no coração (Lucas 9.47), mesmo assim perguntou: O que é que vocês estavam discutindo no caminho? Quando perguntamos, damos a chance de que o outro, livremente, exponha seus pensamentos e sentimentos a respeito do assunto em pauta. Jesus estimulou a liberdade de expressão. Os discípulos guardaram um constrangedor silêncio, pois discutiam seriamente a respeito de quem seria o maior entre eles. No fundo, a conversa em paralelo mostrava-se inapropriada pela falta de autocrítica, sensibilidade e coerência. Faltou-lhes autocrítica, pois tinham acabado de falhar ministerialmente (Marcos 9.18). Faltou-lhes sensibilidade, pois Jesus tinha acabado de revelar sua morte e ressurreição (Marcos 9.31). Faltou-lhes coerência, pois desejar posição e poder era, frontalmente, divergente do que Jesus vivia e pregava. Em geral, são inapropriadas as conversas indiretas, de corredor, a respeito de alguém mas, longe da presença desse alguém, pensamentos nunca expostos mas, tão claros na mente de quem os cultiva. Tomar consciência do que o outro está pensando exige coragem e determinação. Nem sempre será agradável mas, sempre será necessário na construção de um relacionamento verdadeiro e sem distâncias.

A conversa com clareza, segundo Jesus, expõe, de verdade, os próprios pensamentos. Saber o que o outro está pensando cria o ambiente para expor o próprio pensamento. De maneira muito criativa, Jesus traz uma criança no meio de todos para mostrar seu pensamento a respeito dos valores do reino de Deus. Aponta para a humildade, mansidão e moderação. Sabia que estava confrontando diretamente o pensamento egoísta, orgulhoso e pretensioso de seus discípulos. Não havia, porém, outro caminho. Tinha que se expor para expor o melhor para eles. Aliás, investigar o que o outro pensa e deixar de expor o próprio pensamento não é uma atitude muito honesta. Jesus expôs sua verdade sem medo de ser rejeitado, combatido ou resistido. Foi transparente, verdadeiro, direto, sem perder o respeito, amor e carinho que sempre cultivou em seu relacionamento com seus amados discípulos. Ao trazer a criança, demonstrou profundo respeito por todos, pois rememorou aquilo que todos tinham sido um dia. Aquela criança era a história de cada um. A pureza que havia se perdido na caminhada da vida de adulto estava sendo resgatada pelo Mestre. Jesus expõe seu pensamento santo, puro, reto, justo. Isso foi libertador.

A conversa com clareza, segundo Jesus, aproxima, de verdade, os corações. O princípio ensinado por Jesus é que quando as conversas são aproximadas, os corações seguem o mesmo caminho. A pauta paralela foi revelada, a agenda oculta foi eliminada, as dúvidas foram dissipadas. Restou o olho no olho, sincero e verdadeiro, cheio de amor e da profundidade do evangelho. O resultado do reino de Deus será sempre distância zero no relacionamento. Jesus, mesmo conhecendo os pensamentos de seus interlocutores (Mateus 9.4; 12.25; 22.18; Lucas 5.22; 6.8), sempre decidiu aproximar seu coração amoroso e libertador, do nosso coração perdido e confuso. Esse é um princípio da Trindade Santa, que devemos perseguir com rigor no relacionamento entre nós.

A distância nos relacionamentos entre as pessoas é percebida na comunicação entre elas. Cristo, que habita em nosso coração, nos move nessa direção e torna este desafio possível. Vamos, pois, nos esforçar para eliminarmos as vozes ocultas em nossos diálogos, conversando com clareza até alcançarmos distância zero em nossos relacionamentos.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa