Conteúdo e Mídia

Mensagens

Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos (Provérbios 3.5-8 NVI).

Frequentemente somos colocados diante de dilemas: colocar nossos olhos em nossos recursos ou nos recursos de Deus, apoiar-nos no que sabemos ou descansar no que Deus sabe, gloriar-nos das próprias capacidades ou trazermos toda a glória para Deus. O reconhecido sábio Salomão vai direto ao ponto: confie no Senhor e desconfie de si mesmo. Daí surge a pergunta: Como crescer na confiança em Deus?
Nossa confiança cresce quando nos lembramos do que Deus fez no passado. Nas palavras de Salomão, reconheça o Senhor em todos os seus caminhos. Isso exige a firme disciplina para perceber as incontáveis bênçãos com que já fomos beneficiados pelo Senhor, interpretando o passado pela generosa ação de Deus em nossa vida, identificando seu rastro de amor, suas digitais de graça. Não podemos mudar o que se passou, mas podemos mudar a maneira de interpretar o passado. Repetidas vezes o povo de Deus esqueceu-se do que o Senhor havia feito: não se lembraram do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos ao redor (Jz 8.34), não se lembraram das maravilhas que o Senhor lhes fez, e endureceram a sua cerviz (Ne 9.16-17), não se lembraram do poder de Deus, nem do dia em que os resgatou do adversário (Sl 78.42), não se lembraram da multidão das tuas misericórdias (Sl 106.7). Quando se esqueceram, se afastaram e se perderam. Por isso o salmista determina para si mesmo: Recordarei os feitos do Senhor; recordarei os teus antigos milagres. Meditarei em todas as tuas obras e considerarei todos os teus feitos. (Sl 77.11-12 NVI) Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios (Sl 103.2). Devemos nos lembrar dos feitos de Deus no passado bíblico, no passado de nossa história pessoal, especialmente na obra da cruz quando a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11). Quanto mais pensarmos em Cristo e considerarmos seu amor sacrificial por nós, maior será nossa confiança em Deus. A obra da cruz é a mais gloriosa ação de Deus no passado por nós.
Além de lembrar do passado, nossa confiança cresce quando esperamos nas promessas de Deus para o futuro. Neste pequeno trecho, Salomão destaca uma promessa: Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos. Nossa fé é poderosamente alimentada pela graça que já veio e pela graça que está por vir. Deus nos fez assim: memória e expectativa geram confiança (Is 46.9-10; Lm 3.21). Isso é tão forte que o Senhor escreveu nas Escrituras uma quantidade generosa de promessas para nosso futuro em sua presença, inspirando-nos a declamar: na presença dos teus fiéis esperarei no teu nome, porque é bom (Sl 52.9), Em Ti, força minha, esperarei, pois Deus é meu alto refúgio (Sl 59.9), A minha porção é o Senhor, diz a minha alm;, portanto, esperarei nele (Lm 3.24). Podemos esperar lindas promessas para esta vida, mas a esperança vai além desta vida temporal e se estende até a eternidade quando Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam (1 Co 2.9). Precisamente a firme esperança na graça futura além dessa vida é que nos sustenta diante das aflições do presente momento, como disse Paulo: Por isso, não desanimamos ... Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas (2 Co 4.16-18). Quanto mais pensarmos nas promessas em Cristo, maior será nossa confiança em Deus. A vida eterna é a mais gloriosa promessa de Deus para o futuro.
Além de nos lembrarmos da ação de Deus no passado e de suas promessas para o futuro, nossa confiança cresce quando nos relacionamos com Deus no presente. Por isso Salomão foi veemente: confie de todo o seu coração, tema Senhor. Ele tinha aprendido de seu pai Davi que: A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança (Sl 25.14). Mais poderoso do que o conhecer só de ouvir é quando nossos próprios olhos o veem (Jó 42.5). Mais forte do que esperar pelas promessas de Deus é suspirar pelo Deus das promessas (Sl 42.1; 84.2). Nossa confiança é despertada pela lembrança, estimulada pela esperança e enraizada em nível penetrante e incontestável somente quando desenvolvemos um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor, quando experimentamos Cristo como alguém irresistivelmente cativante, desejável, aprazível. Quando todo o nosso coração se encontra com Cristo nessa intimidade pessoal e intransferível, alcançamos o mais profundo nível de confiança.
Com a confiança no Senhor despertada pela memória, alimentada pela esperança e enraizada pelo relacionamento, passamos a nos satisfazer plenamente em tudo o que Deus é para nós em Cristo Jesus. Aí sim, resolvem-se os dilemas e passamos a ter saúde e vigor na vida, para todo o sempre.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa