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Mensagem de 19.04.18

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força e amarás o teu próximo como a ti mesmo (Dt 6.5 e Lv 19.18; citado por Jesus em Mt 22.37-39).

Enquanto Moisés estava no Egito, mesmo na posição de um dos príncipes do Palácio, vivia segundo o jeito de ver e ser deste mundo. Certo dia, enquanto caminhava, viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo. Olhou de um e de outro lado, e, vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia (Êx 2.11-12). Agiu com desamor, no impulso da fúria, movido pelo sentimento de vingança. Agiu como se age no Egito. Quando saiu da escravidão, precisou aprender, juntamente com todo o povo, que o reino de Deus é movido pela cultura do amor a Deus, a si próprio e ao próximo.

O amor a Deus está acima de tudo e todos. Como escreveu C. S. Lewis: “percebi que colocando as primeiras coisas em primeiro lugar, teremos as segundas a seguir, mas colocando as segundas em primeiro, perdemos ambas”. Quando amamos a Deus em primeiro lugar, tudo o mais se encaixa na vida de maneira harmônica e maravilhosa. Quando qualquer outra coisa toma a primazia em nossa vida sendo mais importante que o amor ao Senhor, a vida vira uma bagunça, a desordem toma conta. O que acontece quando amamos a Deus em primeiro lugar? Sempre pensamos nele, falamos a respeito dele, desejamos ouvi-lo em todas as circunstâncias, queremos estar com ele e valorizar tudo o que ele mesmo valoriza.  Quem o ama leva a sério suas palavras e segue o caminho ensinado por ele, pisando em suas pegadas, obedecendo sua vontade (1 Jo 5.3).

O amor próprio vem a seguir e faz parte de uma construção saudável da imagem de si mesmo. A fonte mais pura, intensa e verdadeira nasce da consciência de que somos amados pelo Pai. Nossa vida tem grande valor porque ele a valorizou com sua própria vida ao morrer por nós (Jo 15.13). Isso seria suficiente para qualquer um entrar em paz consigo mesmo. De fato, Cristo me amou intensamente (Jo 3.16), por que eu mesmo não me amaria? O Senhor me aceitou inteiramente (Lc 15.24), por que eu mesmo não me aceitaria? O Senhor me perdoou completamente (1 Jo 2.12), porque eu mesmo não me perdoaria? Amar a si mesmo implica em aceitar os próprios limites, sem se conformar a eles; perdoar os próprios erros, sem perder a busca constante de não mais cometê-los; levar-se a sério, sem perder o humor de rir de si mesmo; desenvolver a percepção própria, sem desconsiderar a percepção dos outros; desenvolver a autonomia pessoal sabendo da necessária interdependência de outras pessoas; cuidar de si mesmo, aceitando o cuidado de outros; desenvolver uma coesa autoestima, sem perder a autocrítica.

O amor ao próximo fecha o ciclo perfeito do reino de amor. O poeta Fernando Pessoa escreveu: “O verbo amar não se conjuga no passado; ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente”. Ninguém conseguirá amar o outro com o amor ágape de Deus por esforço próprio. Como o apóstolo do amor declarou: Aquele que não ama (ágape) não conhece a Deus, pois Deus é amor (ágape - 1 Jo 4.8). Por isso, a boa notícia é que o amor já foi derramado pelo Espírito Santo sobre nós, primeiramente porque fomos amados profundamente pelo Senhor. Como está escrito: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8). Esse amor veio para ficar. É inviolável, inquebrável, impenetrável (Rm 8.35). Isso significa que todo aquele que está em Cristo recebeu essa semente do amor de Deus (Rm 5.5; Gl 5.22) para amar não somente de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade (1 Jo 3.16-18).

O mandamento citado, recitado, vivido e revivido, transmitido e retransmitido por Jesus foi esse: amar! Quando o amor reina, todos amam e todos são amados. Nesse ambiente, todos são supridos, curados e realizados. Cria-se a atmosfera perfeita para a plenitude de vida, alegria, respeito, tolerância, perdão sensibilidade, solidariedade e paz. Fomos libertos do império das trevas e transportados para o reino do Filho do seu amor (Cl 1.13). Vamos, pois, viver com intensidade a cultura do reino de amor.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa