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Mensagem de 15.04.18


Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez (Êxodo 18.21).
 

Quando o povo de Israel foi liberto do Egito, eram cerca de 600 mil homens, fora mulheres e crianças (Êx 12.37; Nm 1.46; 26.51). Estudiosos estimam 3 milhões de pessoas ao todo. Como organizar essas famílias? Como cuidar dessa grande comunidade? Como assegurar bem-estar a essa nação?

Observe como Moisés estava resolvendo a questão: No dia seguinte, assentou-se Moisés para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até ao pôr-do-sol. Vendo, pois, o sogro [Jetro] de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até ao pôr-do-sol? Respondeu Moisés a seu sogro: É porque o povo me vem a mim para consultar a Deus; quando tem alguma questão, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis. O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, tanto tu como este povo que está contigo; pois isto é pesado demais para ti; tu só não o podes fazer (Êx 18.13-18).

Jetro imediatamente percebeu que um só não dá conta. Moisés e todo o povo iriam desfalecer. A cultura do Egito é esperar a liderança de uma única pessoa: o faraó, o grande rei, o “ungidão”. No reino de Deus existe a consciência de que o cuidado do povo deve ser distribuído entre muitas pessoas. Isso é válido até os dias de hoje.

Jetro sabia que todos recebem dons para suprir a todos. Quando ele diz a Moisés para “procurar dentre o povo homens capazes” estava implícita a certeza de que eles existiam. A cultura do Egito supervaloriza carismas de alguns e anula dons da grande maioria. Nela nascem pensamentos como: “não sou capaz”, ou ainda “somente fulano tem dons e carismas”. No reino de Deus compreende-se que pessoas capazes, cheias de dons e talentos, fazem parte da provisão do Senhor para seu povo.

Jetro discerniu que deveriam ser generosos, a quem chamou de homens de verdade, tementes a Deus, que aborrecem a avareza. Em outras palavras, homens avarentos são os que só vivem para si, não temem a Deus e vivem em falsidade. Deve haver cumplicidade, disponibilidade, sensibilidade ao outro, comprometimento com a comunidade, empatia e engajamento com pessoas. A cultura do Egito é de pessoas que só querem ser servidas. Já o reino ensina o serviço como princípio. Quando todos querem ser servidos, todos ficarão insatisfeitos. Quando todos decidirem servir, todos serão servidos.

Jetro sabia que o resultado é muita paz no coração do líder e de todo o povo. Por isso disse: Se isto fizeres, e assim Deus to mandar, poderás, então, suportar; e assim também todo este povo tornará em paz ao seu lugar (Êx 18.23). O verdadeiro trabalho de Moisés não era de servir sozinho a todo o povo, mas estimular que todos desenvolvessem uma cultura de serviço uns aos outros. Seu alvo passou a ser de levantar 400 mil líderes para ocuparem sua posição de serviço nos grupos de 10, 50, 100 e 1.000. Moisés atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo quanto este lhe dissera (Êx 18.23).

Não existe sustentabilidade em qualquer comunidade que não se estimula no serviço uns aos outros. O reino de Deus é por essência um reino cuja cultura é serviço. Isso é tão sério e verdadeiro que Jesus disse: Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10.45). Em nossa igreja local, somos estimulados a vivermos a vida de comunidade nas células, discipulando os mais novos na fé, cuidando uns dos outros em oração e ação, crescendo cada um em sua liderança e envolvendo-se com uma grande variedade de serviços. É muito feio viver só para si e em nada parecido com Jesus. Por isso, vamos servir uns aos outros em amor.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa