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Mensagem de 18.02.18

Lucas 13.6-9: Deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra, cavar em volta dela e pôr bastante adubo (v 8 – NTLH).

Todo aquele que se aproxima de uma figueira espera encontrar nela figo. O fruto não só alimenta aquele que se aproxima, mas também reproduz aquela espécie. Daí ser natural à figueira produzir figos. De igual modo, todo aquele que se aproxima de alguém que se declara cristão espera encontrar nele o fruto do Espírito cujas propriedades são “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5.22-23).

Acontece que nem sempre a figueira produz figo, assim como nem sempre o cristão produz o fruto do Espírito. Pessoas chegam até nós e podem encontrar tristeza amarga, ansiedade profunda, impaciência irritante, fel maligno, maldade incontida, agressividade hostil, desequilíbrio generalizado no corpo e na alma.

Ao invés de uma solução por amputação (corte a árvore), quando matar parece ser solução para um mundo melhor, o agricultor da figueira faz a opção por pedir um tempo, mais um ano. O jardineiro de nossa vida sabe o que é necessário fazer quando estamos infrutíferos.

Em primeiro lugar, é necessário afofar a terra. As experiências adversas da vida podem produzir um terreno batido, cansado, traumatizado, pisoteado, endurecido em nosso coração. A terra assim torna-se impermeável, incapaz de receber a água da chuva e se revitalizar. É necessário revolver a terra, relembrar nossa vida, recontar nossas experiências em outro ângulo, em uma nova perspectiva de análise, pensar diferente a respeito de nós mesmos e de nossas vivências e relacionamentos. Por isso o salmista clamou a Deus que ensinasse a contar seus dias, narrar sua história, para que alcançasse coração sábio e equilibrado (Salmo 90.12).

Também é necessário cavar ao redor. Para uma restauração de nossa fertilidade é necessário ir ao ponto, ser mais incisivo, específico, cortante, penetrante. Precisamos discernir e afastar nossos fracassos, falências, desgostos, frustrações. É necessário identificar para combater as marcas que sugaram os ingredientes e nos deixaram amargos, indiferentes, desapaixonados. Uma terra revolvida e cavada ao redor de nossas raízes está apta a receber água pura que vem das chuvas dos céus. O jardineiro que cuida de nosso coração sabe como fazer isso de maneira respeitosa, amigável, desafiadora. Ele não machuca arrancando pedaços, mas cava cuidadosamente ao redor.

Por último é necessário colocar esterco. Curioso pensar que o esterco, especialmente o orgânico, é produzido a partir do lixo produzido, como o estrume. Serve para corrigir, compensar, complementar, fertilizar, recondicionar, nutrir. Ou seja, a adubação é a reposição dos nutrientes retirados do próprio solo pelas plantas para o crescimento, floração, frutificação e a multiplicação. Aquilo que não serviria para nada, encontra poderosa função. Muitas vezes a adubação no território do nosso coração vem a partir do reprocessamento do lixo que produzimos, que, uma vez ressignificados, nos ajudarão a seguir adiante. Para isso será necessário perdoar e liberar perdão, a si mesmo e aos outros.

A expressão grega usada “aphes” traduzida por deixe (a figueira) é a mesma usada por Cristo na cruz quando disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34), como que dizendo calma, dê um tempo, espere, atenue, perdoe. Definitivamente Deus decidiu dar esse tempo para nós (2 Pedro 3.9). Estamos vivendo esse momento especial para que o jardineiro de nosso coração complete a boa obra de começou (Filipenses 1.6). Vamos nos entregar desejosos de receber esse cuidado, enquanto clamamos: Dá mais um tempo, por favor!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa