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Mensagem de 18.06.17


Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas (Marcos 6.34 - NVI).


Jesus moveu-se por íntima compaixão pelas multidões (Mt 9.36, 14.14, 15.32; Mc 6.34, 8.2) por pequenos grupos (Mt 20.34), ou mesmo por uma única pessoa (Mc 1.41; Lc 7.13). Jesus ensinou a respeito de compaixão em algumas de suas mais marcantes parábolas que condenou o credor incompassivo (Mt 18.27), pôs em destaque o bom samaritano (Lc 10.33) e revelou o coração do pai do filho pródigo (Lc 15.20). Jesus estava aberto a ouvir pedido por compaixão (Mc 9.22), porque seu coração não conseguiria ser diferente disso.

Particularmente, no episódio da primeira multiplicação dos pães e peixes, narrado em Marcos 6.30-44, Jesus demonstrou que era movido por uma profunda compaixão pelos pequeninos e impotentes. O versículo em destaque acima nos ajuda a compreender qual seja a fonte, o alvo e os efeitos da compaixão de Cristo.

A fonte da compaixão de Cristo foi disparada imediatamente quando Jesus viu uma grande multidão. Seus olhos foram o gatilho para disparar suas entranhas. No grego, compaixão (splagchnizomai) significa ser “movido pelas entranhas”. Como a palavra não tem a mesma força no português, algumas traduções recorrem a expressões como “foi movido por íntima compaixão”. A palavra revela em profundidade e intensidade o impulso que Jesus tinha em favor dos necessitados. Essa atitude traduz o perfil de seu caráter refletindo com perfeição a imagem do Deus invisível (Cl 1.15), a exata expressão de Deus Pai (Hb 1.3; Jo 14.9). Jesus tem um coração compassivo, pois o Pai é compassivo. Jesus teve compaixão como homem, pois refletiu com primor e plenitude a imagem e semelhança de Deus. Como declarou Donald Gray, citado por Brennan Manning: “a vida de Jesus sugere que a semelhança de Deus significa alcançar uma vida compassiva. Demonstrar compaixão é ser como Deus, como Abba, como o Filho de Abba”. A fonte de sua intensa compaixão é, portanto, o coração do Pai.

O alvo da compaixão de Cristo é claramente identificado, porque eram como ovelhas sem pastor. No latim, compaixão (cum + patior) significa “sofrer com”, no sentido de “suportar com”, “lutar com”, “importar-se com”. Indica o movimento de partilhar com outros em momentos de fome, nudez, solidão, dor, perdas, ou mesmo sonhos partidos. Seus olhos estavam voltados para aquele povo perdido e oprimido. Seu alvo eram os pequeninos, indefesos, sem cuidado e sem esperança. Sua compaixão afasta-se de toda autossuficiência, arrogância, prepotência, orgulho (Sl 18.27; 101.5; 138.6), mas tem grande prazer com o humilde e contrito de coração (Sl 51.17; Is 57.15) e está atento para fortalecer e demonstrar compaixão para todo aquele que lhe dedica totalmente o coração (2 Cr 16.9). O alvo de sua intensa compaixão é, portanto, seu povo que reconhece ser pequeno, indefeso e totalmente dependente do Senhor.

Os efeitos da compaixão de Cristo são experimentados imediatamente quando Jesus começou a ensinar-lhes muitas coisas, e todos comeram e ficaram satisfeitos (Mc 6.42 - NVI). Biblicamente, compaixão significa ação (1 Jo 3.18). Foi isso mesmo que Cristo fez. Em primeiro lugar, ensinando de maneira amorosa. Em segundo lugar, alimentando de maneira poderosa. Eram cinco mil homens, fora mulheres e crianças. Tudo feito no poder de Deus a partir de cinco pães e dois peixes. Que grande milagre! Tudo só aconteceu porque o coração de Cristo foi movido por intensa compaixão. Sem compaixão não há milagres! Maravilhas e prodígios são disparados pela compaixão nos corações. Os efeitos de sua intensa compaixão, portanto, liberam os recursos dos céus para suprir o povo em todas as dimensões de sua necessidade.

Segundo o teólogo Matthew Fox, “a definição bíblica de perfeição espiritual é ser compassivo”. Jesus foi perfeito. Jesus foi cheio de compaixão. Podemos nos deleitar na verdade de que o coração de Jesus é transbordante em compaixão por nós. Certamente seremos beneficiados e também nos tornaremos canais de sua compaixão. Afinal, a compaixão de Cristo é hoje exercida através de todo aquele que é cheio do seu Espírito.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa