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Mensagem de 19.02.17


E perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores (Mateus 6.12).
 

Como reagimos diante da ofensa, insulto ou ataque, mesmo vindo, às vezes, de pessoas tão boas? Ficamos magoados, amargurados, ressentidos? Ressentir é sentir novamente toda a dor e desconforto da ofensa. Isto adoece o ofendido e o deixa preso em grilhões juntamente com o ofensor. Como disse alguém: “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. A solução está na pequena, porém, desafiadora palavra: perdão. De forma simples e prática, Jesus ensinou seus discípulos a orarem pedindo perdão e se comprometendo a perdoar. Em sua vida, Jesus ensinou três diferentes alternativas para o perdão.

A alternativa mais efetiva ao problema é quando conseguimos blindar nossa alma contra ofensas. Observe Jesus diante do conhecimento prévio de que Pedro o negaria, falou e orou pelo discípulo (Lc 22.31-34), ao invés de ficar magoado e resmungando pelos cantos. Sua capacidade de suportar era tão grande que, na cruz, diante de tantos ofensores, orou: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23.34). Definitivamente sua alma estava blindada para ofensas. Não ignorou atritos na caminhada, mas tolerou e aturou com paciência e resignação o outro. É certo que existe um limiar diferente entre as pessoas e em diferentes áreas da vida quanto à capacidade de suportar ofensas. Alguns são mais melindrosos que outros, ficando facilmente amuados, desgostosos e aborrecidos diante da injúria ou afronta. É desejável aumentarmos o limiar do sentimento de ofensa. Isso exige crescimento na maturidade espiritual. A grande vantagem dessa alternativa é que nos poupa de enfermidades decorrentes do ressentimento. 

Caso nossa alma tenha sido atingida pela ofensa, precisaremos tratar diretamente a ofensa. Neste ponto, Jesus ensinou dizendo: Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe (Lc 17.3-4). A iniciativa pode partir do ofensor pedindo perdão, ou do ofendido liberando perdão. Quando houver negação da ofensa, o ofendido pode buscar ajuda de outro para mediar, como Jesus também ensinou: Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano (Mateus 18.15-17). A queixa deve ser o ponto central da conversa, deixando de lado as pessoalidades. Isso exige grande paciência, sabedoria e determinação. A grande vantagem dessa alternativa é que o ofensor tem a oportunidade de transformação.

Se não blindamos alma, ou se ainda não obtivemos sucesso na abordagem da ofensa, resta-nos simplesmente perdoar o ofensor. Por isso Jesus ensinou a orar dizendo: e perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores (Mt 6.12). Alguém falou que “errar é humano e perdoar é divino”. De fato, o perdão não faz parte da natureza humana. Mas, em Cristo, o perdão entre as pessoas tornou-se possível, porque está lastreado no amor. Porque fomos perdoados de tudo, nada tornou-se imperdoável nos relacionamentos humanos. Só perdoa quem tem consciência de que foi perdoado, ao mesmo tempo que só é perdoado quem perdoa. Na parábola que Jesus conta do servo perdoado que não perdoou, ele assevera o mandamento do perdão dizendo: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? (Mt 18.32). A grande vantagem dessa alternativa é tomarmos consciência do quanto fomos perdoados por Cristo.

O perdão nos faz enxergar o ofensor com os olhos de Cristo. A graça que nos perdoou é a mesma graça que nos capacita a liberar perdão. Nossa saúde emocional depende de alcançarmos o perdão. Vamos, pois, como discípulos, buscar em Jesus a sabedoria e coragem para perdoar, com sinceridade, quem nos tem ofendido, para uma vida de alegria e paz.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa