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Mensagem de 15.02.15


Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos ... Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado (Salmo 32.3-5).

Uma menina falou-me dias atrás: “Você já mentiu alguma vez? Eu também”. Isto nos faz mentirosos. “Você já deixou de repartir um brinquedo ou um lanche com um amigo? Eu também”. Isto nos faz egoístas. “Você já levou consigo algum objeto que não era seu, mesmo que seja um lápis ou borracha? Eu também”. Isto nos faz ladrões. “Você já desejou que alguém sumisse de sua vida? Eu também”. Isto nos faz assassinos. Perguntas que constatam que todos nascemos em pecado (Rm 3.23; 5.12), por isto seremos julgados e condenados (Rm 2.12; 6.23). É com esta consciência que o salmista descreve três momentos em sua vida.  

No primeiro momento, o salmista narra o drama de ter pecados não confessados (enquanto eu calei os meus pecados). Vivia uma vida de grande tormento: seus ossos envelheceram, teve gemidos todos os dias, perdendo o vigor e levando-o à sequidão do calor do verão. De fato, pecados não confessados causam morte (Gn 2.17; Ez 33.8-13; Rm 8.12-13), provocam irritação (1 Rs 16.2) e cansaço no Senhor (Is 43.24), nos separam dele e interrompem nossas orações (Is 59.2; Sl 66.18), pois testificam contra nós (Is 59.12; Je 14.7), expõe nossa culpa (Sl 69.5), causam opróbrio, desonra e vergonha (Pv 14.34), sendo lembrados (Sl 25.7), castigados (Os 8.13; 9.9) e punidos por Deus (Am 1.3, 9, 11, 13; 2.1, 4, 6; 3.2). Pecados não confessados nos embaraçam (Hb 12.1), nos desfalecem (Ez 33.10), nos consomem (Lv 26.39; Is 64.7; Ez 4.17), nos murcham como a folha e como vento nos arrebatam (Is 64.6), causando enfermidades na alma e no corpo (Sl 103.3; Tg 5.16), gerando problemas e calamidades na vida (Dt 28.15-68). Pecar e não confessar procede do diabo (1 Jo 3.8), endurece o coração (Hb 3.13) e escraviza (Jo 8.34).

No segundo momento, o salmista decide arriscar-se e passa a ter seus pecados confessados (Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões). Mas não é uma confissão da boca para fora. Sua decisão partiu de um coração cheio da convicção do pecado, sem cegueira nem falsas justificativas. Em seguida, seu coração estava dominado pela verdadeira contrição e arrependimento, pois sabia que sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado, e que o Senhor não despreza o coração compungido e contrito (Sl 51.17; Is 57.15). Com o coração assim, seus lábios proferiram a confissão (confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões). Por ter sido sincera e verdadeira, sua confissão foi seguida da conversão do caminho, pois o que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv 28.13).  Jesus também disse à pecadora: vai e não peques mais (Jo 8.11).

De que adiantaria a confissão se não fosse ouvida por alguém santo, compassivo, com poder, autoridade e vontade de perdoar? Ora, Jesus foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Is 53.5). Sim, Jesus carregou nossos pecados (1 Pe 2.24), para nos livrar da lei do pecado (Rm 8.2), das consequências do pecado (Rm 6.23), justificando-nos dos pecados (Rm 6.7), salvando-nos de nossos pecados (Mt 1.21) e libertando-nos completamente do domínio do pecado (Rm 6.14-23). Não existe amor maior que este. Por isso, em Cristo, e somente por causa da obra de Cristo na cruz, os pecados confessados são pecados perdoados (tu perdoaste a iniquidade do meu pecado) – (Êx 34.7; 2 Sm 12.13; Cl 2.13; 1 Jo 1.9; 1 Jo 2.12), redimidos, remidos e remitidos, ou seja, pagos, resgatados e dados como quitados (Mt 26.28; Mc 1.4; Hb 9.22; Dt 15.2; At 2.38; 10.43; 13.38). Em Cristo, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça (Ef 1.7), nossos pecados sujos tornam-se brancos como a neve e como a lã (Is 1.18), sendo lançados para trás pelo Senhor (Is 38.17), para bem longe (Sl 103.12), para o fundo do mar (Mq 7.19). Em outras palavras, por causa de Cristo, os pecados confessados são cobertos (Sl 32.1; Rm 4.7), purificados (Hb 1.3; 1 Jo 1.7, 9), lavados (Ap 1.5), retirados de nós (1 Jo 3.5), esquecidos (Is 43.25; Hb 8.12; Hb 10.17), apagados (Is 44.22; At 3.19) e não mais nos levam à morte (Ef 2.1-10; Cl 2.13).

Há um poder espiritual tremendo liberado pela confissão. Quando o coração sincero confessa, grilhões são quebrados, cadeias rompidas, laços desfeitos, prisões arrebentadas. Essa libertação produz a alegria e a paz do Senhor. A confissão simplifica nossa vida. O que você está esperando? Vamos, pois, confessar com prontidão.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa