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Mensagem de 22.02.15


Colossenses  3.13-14


Estamos caminhando no tema geral Distância Zero em duas perspectivas: na vertical, com Deus, e na horizontal, entre nós. Na semana anterior falamos sobre a necessidade que temos de confessar nossos pecados a Deus para sermos perdoados. Hoje falaremos sobre a necessidade que temos de pedir e liberar perdão uns aos outros.

O perdão é para a alma assim como o pão é para o corpo, ou seja, nós não temos a opção de não perdoar; se quisermos ter uma alma sadia, perdoar com sinceridade é necessário. Fiquei pensando sobre o que ainda não sabemos sobre o perdão. O que nos falta de informação sobre este assunto? Dependendo do tempo de igreja que temos talvez já tenhamos ouvido uma dezena ou mais de mensagens sobre isto. O fato é que temos ainda entre nós, entre pais e filhos, maridos e esposas, em todos os tipos de relacionamentos, muita distância devido à falta de perdão. Não devido à falta de conhecimento sobre o perdão, mas devido à falta da prática do perdão. Ofensas, rancor e culpa estão presentes nos relacionamentos. Esta é uma área onde muitos têm padecido e sido enlaçados pelo diabo. Ao mesmo tempo estão presos pelo rancor e culpa e tão distantes.

Assim, Distância Zero é perdoar com sinceridade. Quando perdoamos com sinceridade duas coisas acontecem:


1.Fazemos como Deus faz

Ao estudar mais uma vez sobre este tema, o perdão, fiquei parado na expressão “assim como”. E pensei: Como assim? Como Jesus ousou pedir a Deus que o perdão dele fosse de acordo com o nosso padrão? Que ele nos perdoasse assim como...? (Mateus 6.12) Estaríamos perdidos! Mas daí percebi a beleza da figura de linguagem que Jesus utiliza. Ele está nos dando uma referência, um contraponto.

Éramos devedores (Romanos 3.23: Todos pecaram e carecem da glória de Deus), uma dívida impagável, o preço era preço de sangue (Hebreus 9.22: ... sem derramamento de sangue não há remissão de pecado). Esta dívida nos afastava do Pai, o Pai nosso (Isaías 59.2), vivíamos em trevas. Às vezes nos achamos tão credores com relação aos outros, cheios de direitos. Deus tinha todo direito para conosco.

Não há como falar do perdão sem refletir sobre a maior e mais bela notícia já proclamada em todas as épocas, o escrito de dívida que havia contra nós foi rasgado e encravado na cruz. Fomos perdoados (Colossenses 2.13-14). Esta é a manifestação da graça de Deus ao mundo, reconciliando consigo o ser humano em Cristo Jesus (2 Coríntios 5.19).

Mas o que isto tem a ver com o fato de eu ter que perdoar? Jesus nos contou uma história em Mateus 18.23-35. A história ou parábola do credor incompassivo. Nos versículos 32 e 33: “... perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te de teu conservo, como também me compadeci de ti?”Jesus estabelece a relação entre o perdão: da mesma forma que fomos perdoados devemos perdoar também. Não temos o direito de não perdoar.


2.Nos tornamos como Cristo é

O perdão não é apenas apresentado na Bíblia como um mandamento a ser seguido, mas é apresentado como um modelo a ser vivido. Jesus nos mostrou como fazer em relação às pessoas que nos ferem ou a quem ferimos na caminhada.

A primeira atitude de Jesus foi a de fugir do ressentimento, não sendo melindroso ou facilmente aborrecido ou magoado com as pessoas, se bem que tinha motivos. Muitas pessoas estão presas na amargura ou falta de perdão: “... nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados (Hebreus 12.15b).

Jesus orou por Pedro que o negaria (Lucas 22.31-34); rogou a Deus o perdão aos que lhe estavam crucificando (Lucas 23.34); lavou os pés de quem o trairia (João 13). A segunda atitude foi a de tratar diretamente a ofensa. Os textos de Lucas 17.3 e Mateus 18 a partir do versículo 15 nos mostram como devemos tratar com as pessoas que nos fazem algo de ruim: “Se teu irmão pecar contra ti...”. Com Pedro, disse diretamente que as coisas que falava não eram do Pai, e que ele o negaria antes de o galo cantar três vezes. Ao reencontrá-lo confrontou-o perguntando: Pedro, tu me amas? ou seja, Pedro, vamos nos acertar (João 21). A terceira atitude foi a de perdoar o ofensor. Jesus quebra todas as barreiras de medida do amor quando foi perguntado até quantas vezes se deve perdoar um irmão que pecar contra nós. A lei dizia até sete vezes (ao dia): “Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18.22).

O modelo de Jesus é a cruz. Ele resolveu levar o prejuízo do pecado para não abrir mão do relacionamento conosco. Estamos hoje dispostos a ficar com o prejuízo da ofensa para não abrir mão das pessoas que não nos ofenderam?


Conclusão

Vimos que Distância Zero é perdoar com sinceridade. Vimos que perdoar com sinceridade é do padrão de Deus (assim como...) e do jeito de Jesus (sem ressentimento, confrontando o ofensor e perdoando o ofensor). Mas ainda que o perdão seja uma decisão a tomarmos hoje, precisamos do auxílio indispensável da pessoa do Espírito Santo. Em João 16.8 lemos que é ele quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Não perdoar é pecado e traz consequências terríveis à nossa alma, por isso quero orar para que sejamos visitados por Deus para que correntes sejam quebradas e o perdão flua em nosso meio.

Rev. Pedro Leal Junior