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Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei mais e mais (Salmos 71.14).

Em certo sentido, a qualidade de vida no presente está diretamente relacionada à maneira como lidamos com o passado e com o futuro. Não podemos deixar que o passado nos atormente nem o futuro gere medo e ansiedade. Ao contrário, o passado e o futuro devem ser interpretados pelos olhos da fé e confiança, conhecendo e reconhecendo o agir do Senhor sobre nossa história. Nesta pequena declaração, o salmista nos ensina duas marcas de uma pessoa saudável: gratidão e esperança. A primeira se refere ao passado e a segunda ao futuro.
Gratidão acontece em relação às coisas que se passaram e se expressa através de louvores a Deus por todas as coisas, em todos os momentos, mesmo nas adversidades. Corremos o risco de nos esquecermos de agradecer depois da bênção recebida. Dos dez leprosos curados, somente um voltou para agradecer (Lc 17.11-19). Em outro extremo, podemos cair no erro de reclamar quando as coisas não aconteceram do jeito que queríamos. Em meio à perda de tudo, Jó nos ensinou declarando: o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! (Jó 1.21b). O apóstolo Paulo declarou: aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.11b-13; leia At 16.25).
Esperança é necessária em relação às coisas que hão de vir. Não é apenas uma espera, do verbo esperar, mas uma espera carregada de confiança e fé, do verbo esperançar. Esperar sem fé é como uma terra fértil que recebe a semente, porém sem água: de nada serve. A Bíblia nos traz o rico exemplo: Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera (Rm 4.18-21). Abraão creu no Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.
Nossa gratidão e esperança crescem à medida que compreendemos quem somos e como Deus nos ama tremendamente. Não somos os desenhistas, mas o desenho, nem os projetistas, mas o projeto. Não somos os empreendedores, mas o empreendimento, nem o produtor, mas o produto. Não somos os poetas, mas a poesia, nem os cantores, mas a canção. Não somos a causa, mas o efeito, nem o criador, mas a criatura.
Porque não somos por nós mesmos, não devemos nos frustrar pelo que não fomos. Nem culpar, nem chorar, antes valorizar como somos, agradecer o que somos. Gratidão e alegria devem brotar do mais íntimo do nosso ser. Nas palavras do salmista, louvar mais e mais.
Porque não somos por nós mesmos mas por aquele que nos ama, não devemos nos preocupar pelo que seremos. Nem paralisar, nem temer, antes esperançar para o que somos, por quem somos. Fé e confiança devem invadir nossos corações até a mais profunda raiz. Nas palavras do salmista, esperar sempre.
Fazendo as pazes com o passado e com boas expectativas de um futuro preparado por Deus faz do dia de hoje digno de ser chamado de “presente”. Vivendo de bem com o passado e com expectativas do futuro é o que faz de um novo ano um Feliz Ano Novo!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa