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Mensagem de 20.09.15

Quando você fizer um voto, cumpra-o sem demora, pois os tolos desagradam a Deus; cumpra o seu voto. É melhor não fazer voto do que fazer e não cumprir (Eclesiastes 5.4-5 - NVI).

Promessas fazem parte das relações humanas. Quer seja entre marido e mulher, pais e filhos, nos negócios, entre vizinhos, assumimos compromissos o tempo todo. A expressão “no fio do bigode” surgiu há muito tempo representando negócios fechados sem nenhum documento assinado, mas garantido somente com a palavra empenhada e com um fio da própria barba, retirado em geral do bigode. Talvez a expressão “Bigode” pode ter vindo da antiga expressão germânica pronunciada nos juramentos: “bi Gott”, ou “por Deus”.

Compromissos com Deus, ou em nome dele, devem ser levados a sério. O texto mostra claramente como um voto não cumprido desagrada a Deus, confirmando o ensino de Moisés (Nm 30.1-16). Quer seja juramento no tribunal, votos no altar do casamento, compromissos no momento do batismo, ou mesmo promessas no quarto fechado feitas em tempos de crise, nosso Pai celestial estará muito atento àquilo que assumimos fazer. Diante de Deus não adianta falar como Ovídio, “não jurei, apenas li as palavras do juramento”, nem como Eurípedes “a minha língua jurou, o meu coração não”. Não somos obrigados a fazer votos, mas quando o fazemos, Deus quer ver em nós seu caráter impresso para sermos fiéis a ele, ou em nome dele, assim como ele o é a nós. Como ensinam alguns textos judaicos, “quebrar o juramento é como negociar a própria honra”. Que tal o fio do bigode com o Senhor?

Compromissos consigo mesmo exigem disciplina, determinação e perseverança. Sabe aquela dieta que começaria na segunda-feira? Puxa, não era para acabar na terça. O que dizer das caminhadas e dos exercícios físicos? E o tempo devocional de leitura bíblica e oração? Trabalhar menos, estudar mais? Ter tempo de qualidade para lazer e descanso? Fazer leituras saudáveis e edificantes? E que tal aquele compromisso de não gastar tudo o que se ganha e formar poupança para o futuro? Enfim, uma lista grande de coisas boas para você mesmo, mas que acabam esquecidas. Como disse Ayrton Senna: “no que diz respeito ao compromisso, esforço e dedicação, não existe meio termo: ou você faz uma coisa bem feita ou não faz”. Como disse o sábio: quem promete e não dá é como a nuvem e o vento que não trazem chuva (Pv 25.14 NTLH). Que tal o fio de bigode com o espelho?

Compromissos com as pessoas não podem estar fadados a promessas vazias, mas logo esquecidas e descumpridas. Conde de Alfieri observou: “os mentirosos estão sempre prontos a prometer.” Pense nos políticos, por exemplo. Pois bem, hoje, infelizmente, depois de dada a palavra, apertadas as mãos e sacramentado um contrato, com firma reconhecida e registrado em cartório, muitas pessoas e instituições mudam de ideia e entram na justiça para se livrar do compromisso assumido. O conserto dessa história começa em casa. Precisamos buscar consistência entre o que falamos e fazemos como filhos, irmãos, ou pais. Depois da família, virão os desafios na escola, vizinhança, amigos e no ambiente de trabalho, além da vida pública e política. Que tal o fio do bigode nos relacionamentos?

Imagine quanta história de promessas não cumpridas já vivemos. Só aquele que estabeleceu conosco uma aliança inquebrável, um compromisso irrevogável na cruz do calvário, pode nos ajudar.  Quanto maior a presença de Deus, maior a exigência de viver em verdade e coerência. A experiência de Ananias e Safira (At 5.1-12) reflete o que pode acontecer com quem quer forjar falsos compromissos com Deus, consigo mesmo e com as pessoas. Alguns prometem muito e fazem pouco. Melhor é prometer pouco e fazer muito. Pense bem antes de assumir compromissos. Mas, quando assumir, honre sua palavra!

 

Rev. Rodolfo Garcia Montosa