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Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida (Provérbios 4.23). 

A expressão traduzida nesse texto por “coração” corresponde à sede dos sentimentos e vontades do ser humano. No antigo oriente era compreendida como a região das entranhas, especialmente pela sensação que as emoções normalmente provocam no estômago e intestino, do simples “frio na barriga” ao “estômago embrulhado”. Daí a orientação tão direta: guarde seu coração como o mais precioso sobre tudo o mais. Como o coração é muito lá dentro, o sábio traz três orientações práticas para nos ajudar nesse desafio.

Para guardar o coração é preciso guardar a boca: Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios (Pv 4.24). Jesus afirma que a boca fala do que está cheio o coração, isto é, do que está repleto o íntimo (Lc 6.45). Nossa boca pode expressar as fontes de vida que recebemos em Cristo. Para guardar a boca é necessário evitar falatórios inúteis, fofocas e mexericos (1 Tm 6.20; Tt 3.9; Lv 19.16; Pv 20.19; 11.13), abandonar palavras torpes e vãs (Ef 4.29; 5.4), não murmurar (1 Co 10.10; Fp 2.14; Jd 16). Somos chamados para falar a verdade (Ef 4.25), palavras que produzem vida e saúde (Pv 16.24; 12.25; 18.4; 25.11). Nossa língua deve ser usada poderosamente para trazer livramento (Pv 21.23; 12.6; 15.1; 2 Tm 2.14), na medida e no tempo certos (Pv 15.23; 17.27; 29.20; Ec 5.3).

Para guardar o coração é preciso guardar os olhos: Os teus olhos olhem para a frente, e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti (Pv 4.25). Jesus afirma que tudo está no olhar (Mt 6.22-23). A vida é uma questão de ponto de vista, opinião, perspectiva, visão. Se o olho é bom, todo o corpo será cheio de luz. Mas se o olho for mau, o corpo será cheio de trevas. Nesse caso, seria melhor arrancá-lo (Mt 5.29; 18.9). Difícil, não é? Em outras palavras: como você vê a vida determina se você está em luz ou não. A Bíblia traz diversas histórias que mostram pessoas com olhar diferente nas mesmas circunstâncias. José viu a soberania de Deus acima da maldade dos irmãos (Gn 45.5); Davi viu a aliança de Deus (1 Sm 17.26) enquanto todo o exército só via medo no gigante; Josué e Calebe viram o momento de avançar para a terra da promessa (Nm 13.30) enquanto os outros dez espias viam-se como gafanhotos.

Para guardar o coração é preciso guardar os pés: Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados! Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal (Pv 4.26-27). Jesus afirma que existem duas portas, que conduzem a dois diferentes caminhos (Mt 7.13-14): uma estreita que conduz à vida, mas exige negar-se a si mesmo, e outra larga que leva à perdição, movida pelo hedonismo e materialismo. Somos desafiados a ordenar nossos passos, retirar nossos pés de todo tipo de mal, não declinarmos nem para a direita nem para a esquerda.

Não vamos contaminar nossas fontes para que as águas não fiquem tóxicas e amargas. É fundamental consciência e domínio das palavras, do olhar e do caminhar. Guardando a boca, os olhos e os pés estaremos guardando nosso coração para desfrutar com a melhor intensidade e qualidade das fontes de vida que o Senhor deu para cada um de nós. 

Rev. Rodolfo Garcia Montosa