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Mensagem de 22.11.15.


Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (2 Timóteo 4.7).

Gosto de ler este versículo assim: combati o bom combate e completei a carreira, porque guardei a fé. Em outras palavras, porque guardei a fé, consegui combater e vencer na vida. Talvez Paulo inspirou-se na figura das competições atléticas, especificamente a luta romana, com destaque à disciplina, perseverança e determinação. Poderia também ter pensado no ambiente de guerra, afinal, a vida é um campo de batalha cujo inimigo só é vencido pela fé. Qualquer que seja o ângulo, sua afirmação retrospectiva, feita no auge dos seus trinta anos de ministério, atribui seu sucesso ao fato de ter guardado a fé. Interessa-nos, portanto, compreender o significado de guardar a fé.

Guardar é preservar, e não adulterar a fé. O plástico bolha guarda objetos para não quebrarem, a geladeira guarda alimentos para não perecerem, as luvas esterilizadas guardam pessoas de serem contaminadas. No ambiente atlético, é praticar o fair play e à prova de qualquer antidoping. Neste sentido, Paulo guardou sua fé mantendo-se leal ao que lhe foi confiado, centrando sua vida em Cristo e firmando-se sobre as promessas do Senhor. Toda sua pregação não foi baseada em sabedoria humana, nem em conhecimento deste século, mas focada em Jesus e, principalmente, em sua morte na cruz (1 Coríntios 2.1-6). Guardar a fé é preservar a sã doutrina apostólica, conservando seus fundamentos, mantendo seu estado original de evangelho puro, sem acrescentar, nem tirar nada da essência da fé (Deuteronômio 4.2; 12.32; 30.5-6; Apocalipse 22.18-19). Paulo mesmo orientou: tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo (Colossenses 2.8). Guardar a fé é preservar-se das tradições de homens vindas muitas vezes pela cultura sem Cristo (Mateus 15.3-6; Marcos 7.5-9; 1 Pedro 1.18).

Guardar é proteger, e não perder a fé. O cofre guarda as joias de serem roubadas, o cadeado guarda a mala de ser aberta, o policial guarda a população dos crimes. No ambiente de guerra, significa saber quem é o inimigo, quais são nossas fragilidades e nossas armas. Neste sentido, Paulo guardou sua fé compreendendo que o inimigo é Satanás (luta não é contra carne e sangue ... Efésios 6.12), a fragilidade é o pecado (vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente ... Romanos 7.23) e as armas espirituais são a Palavra e oração (... as armas da nossa milícia não são carnais ... 2 Coríntios 10.4-5; revesti-vos de toda a armadura de Deus - Efésios 6.11-18). Para guardar, tenho que manter posicionamento de permanente atenção, estado de alerta, constante vigia, às vezes em defesa, outras vezes no ataque, mas sempre com autoridade e responsabilidade.

Guardar é cuidar, e não abandonar a fé. A roupa guarda do frio, o útero guarda o bebê,  o sábio guarda seu coração (Provérbios 4.23). No ambiente atlético, é nutrir-se adequadamente, equilibrar os gastos energéticos e celebrar moderadamente a vitória. Neste sentido, Paulo guardou sua fé sem desvanecer diante das adversidades, nem se orgulhar diante das maravilhas que viveu. Mesmo após açoites, apedrejamentos, naufrágios, perigos dos mais diversos, vigílias, fome, sede e nudez (2 Coríntios 11.23-28) declarou: em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porem não desamparados; abatidos, porém não destruídos ... tendo, porém, o mesmo espírito da fé (2 Coríntios 4.8-9, 13). Mesmo após indescritíveis experiências que teve no Senhor quando foi arrebatado até ao terceiro céu, no paraíso, onde ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir (2 Coríntios 12.1-4), ouviu do próprio Senhor: a minha graça te basta (2 Coríntios 12.9).

Quando Paulo escreveu esta que seria sua última carta, estava preso pela segunda vez na capital, agora numa masmorra. Nesta época, os cristãos haviam sido falsamente acusados pelo imperador Nero de incendiarem Roma. Por conta disso, estavam sendo mortos cruelmente. Paulo sentia no ar que seus dias estavam chegando ao fim. Assim como Paulo, fomos chamados em qualquer circunstância da vida para guardar nossa fé, combatendo o bom combate e completando a carreira.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa