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"O centurião que estava em frente dele, vendo que assim expirara, disse: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus" (Marcos 15.39).

Num dia normal esse centurião estaria dando ordens aos mais ilustres soldados romanos, e não a um pequeno esquadrão da morte de um condenado sem acusação. Ao ficar pendurado por horas, a vítima, antes de morrer, perdia vagarosamente sua consciência por causa da perda de sangue, contudo, não foi isso que aconteceu.

O Cordeiro de Deus olhava atentamente para cada rosto. Parecia querer entregar um tesouro específico para cada um. Não foi uma morte comum, e aquele centurião observava tudo de perto, não imaginava que ali estavam sendo cumpridas centenas de promessas, não tinha a menor ideia diante de quem ele estava. Presenciou as trevas envolverem o dia, sentiu toda terra tremer e ouviu as rochas baterem (Mateus 27.45,51).

A incredulidade nos impede de ver quem, de fato, é Jesus. Instantes antes da crucificação, os soldados liderados pelo centurião estavam ironicamente se ajoelhando diante de Jesus dizendo: "Salve, rei dos judeus!" (Mateus 27.29). Estavam cegos. Mesmo diante de tantos sinais não acreditavam que Jesus era o Salvador. No entanto, o coração daquele oficial estava sendo amolecido pelas palavras ditas por Jesus antes de morrer, e passou a ver o que antes não via.

Palavras de perdão! A violência e o sofrimento do condenado eram comuns naquele estilo de morte. Mas ouvir aquele homem ensanguentado intercedendo ao Pai dizendo: "Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23.34), não fazia sentido. Suas impressões sobre Jesus começavam a mudar.

Palavras de esperança! Foi o que ouviu Jesus dizer a um dos malfeitores também crucificados. Não era possível alguém com tanta dor pensar no outro: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lucas 23.43), foi a promessa que Jesus fez. O que passava, agora, pela cabeça do nobre centurião?

Palavras de cuidado! Mãe, cuida do meu amigo. Amigo, cuida da minha mãe (João 19.26-27), foram as recomendações a Maria e a João. Em meio a tanta dor, esse homem ainda consegue pensar nos seus amados? Definitivamente, o centurião esperava maledicência e acusações, não demonstrações de amor e cuidado.

Palavras de entrega! "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lucas 23.46). O centurião sucumbiu. Não aguentou tamanha emoção diante do rugido final do Leão vitorioso. Passou a dar glória a Deus, cheio de temor, reconhecendo que estava diante de um homem verdadeiramente justo (Lucas 23.47).

Jesus na cruz nos ensina lições preciosas. Ele causou admiração para destruir a incredulidade (Isaías 52.15). Foi desprezado para cumprir as Escrituras (Isaías 53.3). Foi castigado para nos trazer a paz (Isaías 53.5). Intercedeu pelos transgressores (Isaías 53.12). E viu o fruto do seu penoso trabalho (Isaías 53.11) ao sacudir o mundo do primeiro convertido impactado pela morte na cruz.

O centurião romano viu nos olhos de Jesus que estava tudo bem. Não era o fim, mas o começo; não era dor, mas cura; não era destruição, mas reconstrução; não era morte, era vida. Essa é a história do centurião diante da cruz, aquele que viu de perto o plano eterno ser cumprido e concluiu que aquele não era um camponês qualquer, um condenado inofensivo, era verdadeiramente o Filho de Deus. Aleluia!

Rev. Daniel Zemuner Barbosa