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Mensagem de 02.04.17

Mateus 27.32; Marcos 15.21; Lucas 23.26
 

Havíamos chegado há pouco na cidade de Jerusalém. Depois de longa viagem vindos da região norte da África, da cidade de Cirene, estávamos prontos para celebrar a Páscoa juntamente com outros judeus em nossa sinagoga (Atos 6.9).

Já tinha ouvido falar sobre o grande tumulto que certo homem chamado Jesus estava causando durante as festividades. Juntamente com minha esposa (Romanos 16.13) e meus filhos Alexandre e Rufo vínhamos do campo entrando na cidade (Marcos 15.21).

Foi então que tudo aconteceu. Vindo do palácio, que é o pretório, avistamos uma comitiva de soldados conduzindo aquele que chamavam de Jesus carregando uma cruz em direção aos portões da cidade. Quando meus olhos o viram percebi que estava quase sem forças, seu corpo profundamente castigado, em sua cabeça uma coroa de espinhos, em seus ombros uma pesada cruz com uma haste na horizontal e uma grande haste vertical que se arrastava pelo chão. Por vezes desfalecia na caminhada.

Lá vem mais um criminoso, pensei! Maldito e impuro sendo conduzido para o monte das caveiras (Gólgota). Nas mãos de um dos soldados havia uma placa com algumas palavras escritas em hebraico, latim e grego. Resolvi me aproximar, ver o que estava escrito e fiquei impressionado com o que li: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS (João 19.19).

Abruptamente senti a mão de um soldado me puxar com toda força. Tentei sair daquele alvoroço rapidamente, mas os soldados me obrigaram a ajudar aquele homem. Foi colocado sobre os meus ombros parte do pesado madeiro que eu fui levando após os seus passos (Lucas 23.26).

Não compreendia nada do que estava acontecendo, um misto de vergonha, cansaço e sensação de impureza tomou conta de mim. Quando chegamos ao lugar onde Jesus e outros dois malfeitores seriam crucificados fiquei acompanhando cada detalhe, cada frase proferida por ele do alto do madeiro. Houve trevas, e enfim, suspirou entregando-se a seu Pai. Estava consumado.

Um detalhe importante era sobre o seu olhar, era diferente de tudo que já havia visto. Era penetrante, em meio à dor, sereno. Era como uma ovelha muda indo para o matadouro. Não era o olhar de um simples homem, hoje sei que era o olhar do Filho de Deus. Vocês imaginam que privilégio? Levar a cruz do nosso Salvador?

De verdade, no início eu não queria, resisti. Mas fui impelido a levar sua cruz. Hoje procuro tomar a minha cruz e segui-lo com alegria (Marcos 8.34), mas aprendi que não basta levar a nossa cruz, haverá momentos em nossa vida em que seremos chamados para ajudar a levar a cruz de outra pessoa ao nosso lado.

Que minha história possa ajudar a refletirmos sobre como temos reagido diante da nossa própria cruz e diante da cruz de nossos irmãos.

Simão, o cireneu (por Pedro Leal Junior)

 

Rev. Pedro Leal Junior