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Mensagem de 18.10.15

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda (João 15.1-2).

Temos falado sobre manter distância zero de si mesmo e sabemos que é um tema intrigante. Trata-se de um lembrete para o nosso chamado ministerial, a partir daquilo que realmente somos, sem máscaras, sem fingimentos, de forma autêntica e bem resolvida. Deus deseja que sejamos leais conosco mesmos. Para isto, é necessário exercitar, diariamente, nossa vida com Deus e mantermos o coração diante do Senhor para que ele faça o que deseja fazer, na hora e do jeito dele.

Para ilustrar, vamos pensar um pouco sobre o processo por que passa uma árvore frutífera. A semente é lançada ao solo, morre, e, assim, começa a criar raízes. Estas raízes procuram por água. Os ramos começam a surgir e procuram pela luz. O tronco cresce, com o tempo, amadurece. Os galhos se desenvolvem, as folhas vão nascendo. As flores começam a nascer. Logo se percebem as pequenas frutas. Essas frutas têm sabor, são digestíveis, são bonitas e propícias para a alimentação. Mas, você já parou para pensar que é exatamente a partir da lama que o processo teve início? Sim, nossos alimentos vêm da lama!

Jesus conta esta metáfora de uma forma um pouco diferente, mas muito criativa, no evangelho de João, capítulo 15. Ele nos convida a mantermos o coração quebrantado, dependendo dele e de Deus, vivendo por meio dele e para ele. Jesus não teve uma vida de rei, não fez exigências materiais, não se importava com o que diziam, mas com o que o Pai queria. Um coração cheio de sonhos e projetos que não considera a vontade de Deus e o ministério de Jesus, normalmente, demonstra ser um coração altivo, soberbo e que necessita de quebrantamento, pois, convém que ele cresça e que eu diminua (João 3.30).

Assim, manter o coração quebrantado somente é possível para os que permanecem em Jesus: permanecei em mim, e eu permanecerei em vós (v 4). Israel se tornou estéril. Seu coração já não estava mais no Senhor. Esterilidade tem relação com coração não quebrantado. Então, o que fazer? A resposta está nos versículos de 4 a 7. A chave é permanecer em Cristo. O verbo permanecer aparece onze vezes nos versículos de 4 a 10. Permanecer significa continuar a ser ou estar, ou ficar, conservar-se, persistir, insistir, demorar-se. Quem permanece em Jesus, Jesus permanece nele (v 4a). Quem permanece produz, quem não permanece não produz (v 4b). Quem permanece dá muito fruto, porque sem Jesus nada podemos fazer (v 5). Quem permanece é acolhido, quem não permanece é arrancado fora (v 6). Vemos que a chave para frutificar é manter o coração quebrantado, é anular-se a si mesmo e permanecer em Jesus. Ali é o lugar seguro para uma vida de humildade e relevância.

Mantêm o coração quebrantado, também, os que permanecem na Palavra: Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós (v 7). Quem permanece em Jesus e na Palavra, pede o que quiser e será feito (v 7). Quem está na Palavra não pede  futilidades, antes, entende que melhor é dar do que receber, melhor é dar frutos do que colhê-los. Melhor é manter a vida em Deus, como barro nas mãos do oleiro, do que manter um coração duro que não se dobra facilmente. Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniquidade alguma (Salmos 119.133).

Enfim, manter o coração quebrantado é permanecer no amor. Aquele que permanece em Jesus permanece no amor: Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor (v 9). Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço (v 10). Amar e agir como Jesus demonstram um coração totalmente entregue, quebrantado, pronto para fazer as coisas que o Mestre fez, amar incondicionalmente como ele amou. O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros (v 12). Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros (v 17).

Não é fácil manter o coração quebrantado. Mas, eis aqui, uma prática lição: Permanecer em Jesus, permanecer na Palavra, permanecer no amor. Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gálatas 2.20). Cristo se entregou por mim. Aleluia! Agora, quebrantado, nego-me a mim mesmo e vivo para ele.

Rev. Daniel Zemuner Barbosa