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Mensagem de 18.09.16


Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem? Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador (Mateus 27.13-14).
 

É comum falar a respeito das palavras de Jesus: belas, simples, profundas e transformadoras. Por outro lado, nem sempre percebemos que seu silêncio falou muito alto em diversas situações de sua caminhada, especialmente no momento tenso e trágico de seu julgamento. Mas, o que significa o comportamento de silêncio de Jesus que causou tanto impacto na vida de Pilatos e tantos outros, quando o que se esperava eram muitas palavras?

Seu silêncio foi um ato de censura. Diante de todos os que o julgaram, Jesus ficou mudo, não respondendo palavra alguma. Seu silêncio censurou a hipocrisia religiosa de Caifás (Mateus 26.62), o desejo pelo espetáculo de Herodes (Lucas 23.8) e o comportamento político-interesseiro de Pilatos (Marcos 15.4-5). Sabia que estava diante de pessoas insinceras e dissimuladas, que não tinham o real interesse nem a boa vontade para ouvi-lo. Perguntavam para cumprir um protocolo e para dizer que tinham feito seu papel e lavarem suas mãos. Seu silêncio identifica sua plena consciência e total reprovação de todo aquele que se aproxima dele com um coração fingido, enganoso e desonesto.

Seu silêncio foi um ato de soberania. Não ficou mudo por medo, nem por covardia. Ao contrário, seu silêncio foi prova de que tudo o que acontecia estava debaixo de sua autoridade e presciência. Jesus não foi calado. Decidiu calar-se. Qualquer um gritaria sua inocência, choraria diante de seus algozes, entraria em desespero diante da iminente sentença de pena de morte. Mas Jesus descansava na verdade de que a soberania divina já tinha estabelecido seu comportamento séculos antes: Ele (Jesus) foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca (Isaías 53.7). Seu silêncio nos ensina que devemos aprender a nos aquietar diante das piores adversidades da vida, sabendo que ele é Deus.

Seu silêncio foi um ato de amor. Poderia ter aberto a boca para expor sua verdade e certamente teria convencido qualquer um de sua inocência. Poderia ter aberto sua boca em oração para pedir livramento e certamente legiões de anjos teriam descido dos céus com suas espadas flamejantes. Poderia ter aberto a boca e condenado cada um dos seus acusadores e julgadores, pois certamente conhecia suas perversidades. Mas, ao invés de falar, decidiu ficar mudo. Seu silêncio não foi uma estratégia de defesa, mas uma estratégia de entrega. Seu silêncio o levou a assumir a penalidade da nossa condenação para nos salvar.

Jesus já tinha esboçado esse silêncio para libertar dos acusadores a mulher flagrada em adultério (João 8.6). Já tinha repetido esse silêncio quando fixou seus olhos em Pedro após este ter negado que o conhecia, provocando um choro de amargo arrependimento (Lucas 22.61). Foi esse mesmo silêncio que impactou o etíope eunuco  e o levou a converter-se ao grande amor de Cristo (Atos 8.27-32).  É esse mesmo silêncio que continua impactando nossa vida nos dias de hoje. Isso mesmo: tem momentos que o silêncio fala mais do que palavras. Seu silêncio nos exorta, mas também nos salva. Seu silêncio nos perdoa, mas também nos transforma. Simplesmente seu silêncio nos deixa maravilhados!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa