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Mensagem de 11.09.16
 

Neste ponto, chegaram os seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? Ou: Por que falas com ela?  (João 4.27).


Segundo o dicionário, discriminar é colocar algo ou alguém de parte, tratar de modo desigual ou injusto com base em preconceitos de alguma ordem, afastar-se por intolerância racial, religiosa, classista ou de outra natureza, fazer acepção de pessoas, destratar, ignorar, repulsar o semelhante, sob qualquer motivo ou motivação. Feio, não é?

Pois bem, era comum aos judeus discriminarem mulheres, crianças, deficientes, enfermos, estrangeiros – especialmente samaritanos - ímpios e pecadores de maneira geral. Mas Jesus era mesmo alguém muito avante de seu tempo. Aliás, muito avante do nosso tempo. Seus discípulos ficaram tão impactados, que sequer tiveram coragem de perguntar qualquer coisa quando o viram conversando com aquela mulher samaritana. Para Jesus não havia inferioridade, nem rivalidade. Por isso, os discípulos ficavam maravilhados com a maneira como Jesus incluía todos e todas em seus diálogos, em sua agenda, em seu coração.

Jesus não se relacionava com pessoas motivado pela cor da pele, pelo tamanho da conta bancária, pelos títulos pendurados na parede, pela beleza ou qualquer outra característica desse tipo. Seu movimento foi e continua sendo na direção de quem tem sede. Senão, vejamos.

Tudo começou com a sede física expressa por meio do simples pedido de água. Jesus estava com sede. Ao mesmo tempo que sua sede era real, tornou-se pretexto para iniciar seu diálogo. Sua capacidade de partir dos elementos simples e cotidianos da vida é sempre surpreendente. O ordinário, em suas mãos, torna-se extraordinário. Sede, fome, saúde, trabalho, sustento, natureza, e tantos outros elementos concretos da nossa vida e contexto tornam-se meios para nos relacionarmos com Jesus. Jesus se achega por meio de uma singela necessidade do dia a dia, mesmo que, no primeiro momento, não seja percebido.

Na sequência, a conversa aponta para uma sede na alma. Se Jesus tinha sede, maior, contudo, era a sede daquela mulher samaritana expressa nos seus múltiplos relacionamentos conjugais. Como não poderia ser diferente, Jesus, cheio do Espírito Santo, logo discerniu que nem os cinco maridos, nem o atual companheiro poderiam preencher suas expectativas, desejos e apetites profundos. Estava fadada à vida insaciável que não é suprida por cônjuges, filhos, títulos, dinheiro, sexo, drogas, posição, poder, fama, status e tantas outras ilusões. Mesmo aproximando-se de maneira inclusiva, Jesus revela a verdade de sua vida sedenta e passa a ser percebido como profeta de Deus.

Por fim, a conversa encaminha-se para a verdadeira sede espiritual. Mais que na alma, a mulher samaritana tinha sede de Deus. Por isso, apresentou seu dilema: onde encontro Deus? Qual o lugar para adorá-lo? Aqui neste monte ou em Jerusalém? Ora, percebendo a sinceridade de seu coração, Jesus lhe revela que Deus é espírito e que ele é o Messias que havia de vir. Ao longo da conversa, os olhos espirituais da samaritana foram abertos. Não era simplesmente um profeta, mas o próprio Ungido de Deus com quem estava conversando. Não se conteve e chamou toda a sua comunidade para conhecer a Cristo. O olhar do Senhor estava focado no coração quebrantado, humilde e sincero daquele povo. Foi tão atraído pela sede espiritual que ficou ali dois dias inteiros e intensos com todos (Jo 4.43).

Da mesma maneira como fez com a mulher samaritana, o Senhor inclui em sua agenda nos dias de hoje todo aquele que tem verdadeira sede, mesmo que esteja perdido em tantas tentativas de saciar-se. Fazendo assim nos ensina a proceder da mesma maneira com outros. Somente no Senhor podemos ter nossa sede satisfeita e nossos corações fartos.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa