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Mensagem de 25.10.15

Ora, ali estava conchegado a Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem ele amava  (João 13.23).

Lembro-me da primeira vez que notei a expressão: aquele a quem ele amava. Fiquei muito intrigado com essa referência e passei a pesquisar quem seria esse tal. Curiosamente, encontrei a mesma expressão repetida mais três vezes (João 20.2; 21.7, 20), todas no mesmo livro. Nenhum outro escritor do Novo Testamento usou essa expressão. Fiquei curioso: será que somente um evangelista tinha percebido esse tal discípulo?

Minha curiosidade foi substituída pelo espanto da descoberta. Esse tal discípulo, a quem Jesus amava é revelado no penúltimo versículo do livro, uma espécie de assinatura: Este é o discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro (João 21.24). Isso significa que o autor do livro, o próprio escritor, era o discípulo, a quem Jesus amava, ou seja, o apóstolo João.

Demorei a compreender essa autotitulação: discípulo, a quem Jesus amava. Soou arrogante e presunçoso. Teria sido vaidoso? Pretensioso? Altivo? Fiquei algumas semanas com essas perguntas no coração. Confesso que fiquei indignado. Como poderia alguém referir-se a si mesmo de maneira tão orgulhosa?

Alguns dias depois, percebi que a expressão era pontual. Não disse: o discípulo a quem Jesus mais amava. Nem disse: o único discípulo a quem Jesus amava. Puxa, fez toda a diferença. Não se tratava do mais amado, nem do único amado, mas traduzia como João percebia ser visto por Jesus. Em outras palavras, João passou a enxergar-se, referir-se, anunciar-se, descrever-se como era visto aos olhos de Jesus: o discípulo a quem Jesus amava. Qualquer um outro discípulo poderia usar da mesma titulação sobre si mesmo. Aliás, qualquer um pode fazer isso nos dias de hoje.

Essa referência que João deu a seu respeito impactou minha vida. Percebi que pouco importa a opinião que tenho a meu respeito, muito menos o que as outras pessoas pensam de mim. O que interessa saber mesmo é como Jesus me enxerga. A opinião dele sobre mim é cheia de compaixão, misericórdia, graça e amor. Seu sacrifício na cruz provou isso. Seus pensamentos sobre mim são pensamentos de paz, muito mais elevados que meus próprios pensamentos. Sempre está intercedendo por mim.

Eu sou discípulo a quem Jesus ama! Essa afirmação deixou de soar arrogante. Mas, ainda estou processando essa verdade, incorporando cada dia mais a profunda convicção e confiança nesse amor.

Quero convidá-lo a ver-se sob esta nova ótica. Mais impactante do que eu falar “você é amado de Jesus”, é quando você mesmo conclui: “eu sou amado de Jesus”. Seu respeito próprio aumentará, pois ele respeita você sensivelmente. Seu senso de significação crescerá, pois você faz falta para ele. Sua estima será curada de todo tipo de trauma, pois ele o estima a ponto de ter morrido por você. Como diz a música, cante: “Ele me ama tanto!”

Rev. Rodolfo Garcia Montosa