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Mensagem de 03.04.16


Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz. Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido (1 Crônicas 4.9-10).
 

Na cultura judaica, o nome representa uma marca na vida que pode vir a traduzir o caráter da pessoa. Imagine-se, desde pequeno, sendo chamado de “dor” pela própria mãe, pelos irmãos, amigos e vizinhos. Seu nome podia ter gerado revolta, ou profundo desprazer. Mas, ao invés de ser conhecido pela “dor”, Jabez foi reconhecido como alguém “ilustre”. Segundo o dicionário, ilustre significa: esclarecido, distinto, notável; que brilha ou se distingue por qualidades louváveis; fidalgo, nobre. O texto indica que sua nobreza tinha raízes no relacionamento com o Senhor. Era um homem de fé que invocava o Deus de Israel!

Jabez começa sua oração de maneira confiante: Oh! Tomara que me abençoes. Jabez vivia no meio do povo que tinha retornado do exílio na Babilônia. Tinham muitas promessas das bênçãos de Deus, mas estavam em meio a muitas dificuldades. Tudo estava por acontecer. Dificuldades financeiras, oposição de estrangeiros e conflitos domésticos marcavam a vida naqueles dias. Mas seu coração não se fixou nas circunstâncias. Aproximou-se do Senhor com expectativas, sem duvidar, pois conhecia o coração do Pai (Hb 11.6). Ele ouviu profetas, cantou os salmos, ouviu conselhos de sabedoria e simplesmente creu.

Jabez desenvolve sua oração de maneira aberta: e me alargues as fronteiras. Ao invés de algo específico, seu pedido foi bem genérico. Fronteiras alargadas falam de barreiras quebradas, limites estendidos e área de influência ampliada em várias dimensões e direções. Certamente é uma oração ousada. Deus nos abençoa para avançarmos em novos territórios, muito além do nosso pequeno mundo que gira, por vezes, ao redor do umbigo. Ele quer nos ver alargando nossa mente e coração, assim como nossos relacionamentos e influência. Deus nos abençoa para nos fazer abençoadores para além das fronteiras. Nosso Deus pode alargar nossas fronteiras, pois Ele não tem qualquer fronteira!

Jabez conclui sua oração de maneira humilde: que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição. Reconhecia suas fragilidades, fraquezas e vulnerabilidades. Por isso, sabia o quanto dependia da ação de Deus, quer seja de maneira direta (1 Cr 21.14, 15; 2 Cr 36.16, 17), ou indireta (2 Cr 18.33; 20.23). Ele ora pela preservação e pelo livramento. Poderia muito bem ter orado assim: não me deixes cair em tentação, mas livra-me do mal (Mt 6.13), não peço que me tires do mundo e sim que me guardes do mal ( Jo 17.15). Aliás, se tem algo que não combina com oração é um coração orgulhoso e autossuficiente. Os que têm coração quebrantado, contrito e compungido jamais serão desprezados pelo Senhor (Sl 51.17).

A Jabez não faltou confiança, nem abertura, nem humildade. Aliás, quando um desses elementos não está presente, certamente nossa oração não passará do teto. Assim como Jabez, o Senhor quer escrever uma linda crônica de nossa vida de oração com o mesmo final feliz: Deus lhe concedeu o que tinha pedido.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa