Conteúdo e Mídia

Mensagens

Mensagem de 17.04.16

Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava (Lucas 5.16).
 

Se, por um lado, é fácil perceber a importância e os benefícios de uma vida saudável de comunhão com outras pessoas, falta-nos, muitas vezes, tempo de qualidade a sós. Muito diferente da solidão que todos temem e não é saudável, a solitude é o estado de privacidade de uma pessoa na presença de Deus. É um tempo de reflexão, meditação e busca de consciência de si mesmo e do mundo ao redor, aquietando-se para ouvir a voz do Senhor, conhecendo-se e fazendo-se conhecido ao Pai celestial. Pode até acontecer em meio a uma multidão, contudo é mais comum nos momentos de isolamento voluntário.

Assim como Jesus foi exemplo de uma vida de comunhão e relacionamentos com as pessoas, com muito amor, interesse e profundidade, no outro extremo viveu, com excelência, momentos de solitude. Cultivou a solitude antes e depois de eventos significativos em sua vida.

Antes de começar seu ministério, Jesus passou quarenta dias sozinho no deserto. Ali foi guiado pelo Espírito Santo a uma profunda comunhão de oração. Tinha na Palavra de Deus sua única regra de fé e prática, com a qual pôde enfrentar seu grande inimigo no momento de tentação, como diz a Bíblia: E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás (Marcos 1.12-13a).

Antes de importantes decisões, como a escolha de seus doze discípulos, passava tempo sozinho no monte deserto. Buscou, assim, discernimento e direção do Pai, como está escrito: Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos (Lucas 6.12-13).

Antes de sua morte de cruz, enquanto se preparava para sua mais sublime obra, Jesus buscou a solitude do jardim do Getsêmani, assim narrado: Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade (Mateus 26.42).

Depois de uma notícia muito difícil, quando soube da morte de João Batista, Jesus retirou-se para se recompor. Era seu parente e predecessor. Sabia de seu caráter, santidade, fidelidade. Foi um momento bem difícil. A solitude era necessária, como narrou o evangelista: Jesus, ouvindo isto [sobre a morte de João Batista], retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte (Mateus 14.13a).

Depois de uma longa noite de trabalho atendendo grande multidão, Jesus buscou o momento a sós com Deus para se restabelecer: Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava (Marcos 1.35).

Depois de ser canal do poder de Deus buscou seu tempo de reclusão. Assim aconteceu após a alimentação miraculosa dos cinco mil, como está escrito: E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só (Mateus 14.23).

Não existe qualquer outra pessoa que alguém viva mais tempo junto do que consigo mesma. Por isso, todo indivíduo precisa aprender a estar sozinho. Cristo nos ensina o caminho da solitude saudável, na direção e inspiração do Espírito Santo, antes e depois dos acontecimentos mais marcantes da vida. Comece com alguns minutos por dia, em oração, com a companhia da Bíblia, e aguarde experiências maravilhosas. Desligue seu celular. Desligue-se das redes sociais. Ligue-se no seu mundo interior. Ligue-se no Senhor. Cuide disso!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa