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Mensagem de 11.08.17
 

Chegada a tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos (Mateus 26.20).
 

Para Jesus, reunião era motivo de refeição e refeição era oportunidade para reunião. A mesa de refeições foi o principal ponto de encontro com Cristo. Foi até chamado de glutão e bebedor de vinho (Lucas 7.34). Durante suas refeições com amigos ou desconhecidos, muitas necessidades eram satisfeitas pelo Mestre.

A necessidade física era sempre suprida com um peixinho bem assado, com um pão com azeite ou outros quitutes típicos de sua época. Por duas vezes alimentou a multidão (Lucas 9.12-17; Mateus 15.29-38). Tudo muito gostoso e saboroso, algumas vezes preparados por ele mesmo, como foi feito para os discípulos após pescaria (João 21.9-13), ou aos discípulos que caminhavam na estrada de Emaús (Lucas 24.13-15, 29-32), os quais, aliás, só o reconheceram no momento que ele partiu o pão. Talvez Jesus tivesse um jeito especial e peculiar de partir e repartir. Um dia saberemos.

A necessidade social de diálogo era um ponto alto. Esses momentos poderiam durar até oito horas. Falavam de coisas da vida, assuntos do coração. Riam juntos, choravam juntos, falavam das coisas da terra, sem perder a perspectiva dos céus. Fez isso muitas vezes com seus amigos Lázaro, Marta e Maria (Lucas 10.38; João 12.1-2). Fazia isso sem preconceitos (Marcos 2.15), a ponto de os fariseus perguntarem aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? (Mateus 9.11)

A necessidade cultural da continuidade das tradições era naturalmente preenchida desde o momento de aproximarem-se da mesa, com o ritual de limpeza dos pés e das mãos. Jesus, mesmo, fez questão de lavar os pés de seus discípulos antes da última refeição que precedeu sua morte (João 13.4-5). Não somente isso, mas também a maneira de assentar-se reclinando-se à mesa (Marcos 14.3). Jesus respeitava os protocolos como uma forma de respeitar as próprias pessoas. Estava tão sensível a isso que até marcou seu primeiro milagre solucionando o problema da falta de vinho para que as famílias dos noivos não ficassem envergonhadas (João 2.1-11).

A necessidade espiritual da salvação, de todas as anteriores, era, sem dúvida, o clímax. Estar à mesa com Jesus é estar diante da esperança da eternidade, da vida em abundância, da expressão de amor e misericórdia do Pai, do perdão dos pecados, da transformação do coração. Sem dúvida, ter refeição com Jesus à mesa é algo diferente de tudo mais. Que o diga Zaqueu que, após um momento como esse, decidiu, energicamente, restituir todos aqueles a quem havia prejudicado ao longo de sua vida. Durante aquela refeição houve salvação naquela casa (Lucas 19.1-9). A mesa de Jesus é lugar de adoração (Mateus 26.7) e não de incredulidade (Marcos 16.14).

Quando nos reunirmos entre irmãos na fé, em nossas células, Jesus estará conosco em nossas refeições de comunhão. A refeição com Jesus sempre foi encontro de vida e tornou-se sinônimo do altar. Ao redor dela houve comunhão, transformação, salvação e alegria. As refeições com Jesus tinham padrão e propósito, não eram de qualquer jeito, nem com qualquer conteúdo. O melhor de tudo é perceber que para todo o sempre não haverá uma refeição sequer que Cristo não queira estar presente (Apocalipse 3.20), até o grande dia quando estaremos todos assentados celebrando a ceia das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19.9).

Rev. Rodolfo Garcia Montosa