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Mensagem de 06.08.17
 

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição
(Colossenses 3.13-14).
 

O apóstolo Paulo estava escrevendo a uma igreja local que ficava na cidade de Colossos. Sabia que a vida em comunidade da fé era fundamental para a manifestação do poder, alegria e paz do Senhor sobre todos. Sabia, também, que a vida em comunidade traz seus desafios, pois muitas são as vezes que nos magoamos no curso do relacionamento. Daí ter escrito tão claramente a respeito do perdão. De forma simples e prática, o apóstolo Paulo mostra três soluções de perdão.

A solução mais efetiva ao problema é conseguirmos blindar nossa alma contra ofensas. Por meio da exortação: suportai-vos uns aos outros, Paulo invoca uma comunidade que não se sente ofendida facilmente. Não ignora que existam atritos na caminhada, mas todos podem tolerar, com paciência e resignação, um ao outro. É certo que existe um limiar diferente entre as pessoas quanto à capacidade de suportar ofensas. Alguns são mais melindrosos que outros, ficando facilmente amuados, desgostosos e aborrecidos diante da injúria ou afronta. É desejável aumentarmos o limiar do sentimento de ofensa. Isso exige crescimento na maturidade espiritual. Observe Jesus diante do conhecimento prévio de que Pedro o negaria, falou e orou pelo discípulo (Lucas 22.31-34), ao invés de ficar magoado e resmungando pelos cantos. Sua capacidade de suportar era tão grande que, na cruz, diante de tantos ofensores, orou: Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lucas 23.34). Definitivamente, sua alma estava blindada para ofensas.

Outra forma de solucionar é tratar diretamente a ofensa. Por meio da orientação: perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem, Paulo indica o caminho de colocarmos o ofendido diante do ofensor em busca da reconciliação. A queixa deve ser o ponto central da conversa, deixando de lado as pessoalidades. Isso exige grande paciência, sabedoria e determinação.  Neste ponto, Jesus ensinou dizendo: Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe (Lucas 17.3-4). A iniciativa pode partir do ofensor pedindo perdão, ou do ofendido liberando perdão. Quando houver negação da ofensa, o ofendido pode buscar ajuda de uma terceira pessoa para mediar, como Jesus também ensinou: Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano (Mateus 18.15-17).

Não conseguindo solucionar segundo as propostas anteriores, resta-nos simplesmente perdoar o ofensor. Por meio do princípio: Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição, Paulo lembra o fato de que fomos perdoados. Alguém falou que errar é humano e perdoar é divino. De fato, o perdão não faz parte da natureza humana. Mas, em Cristo, o perdão entre as pessoas tornou-se possível, porque está lastreado no amor. Porque fomos perdoados absolutamente de tudo, nada se tornou imperdoável nos relacionamentos humanos. Só perdoa quem tem consciência que foi perdoado, ao mesmo tempo que só é perdoado quem perdoa. Por isso Jesus ensinou a orar dizendo: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mateus 6.12). Na parábola que Jesus conta do servo perdoado que não perdoou, ele assevera o mandamento do perdão dizendo: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? (Mateus 18.32-33).

Qualquer que seja a solução, precisamos liberar perdão. Reunião sem perdão torna-se um peso. O perdão nos leva ao desejo de nos reunir, pois nos faz enxergar o ofensor com os olhos de Cristo. A graça que nos perdoou é a mesma graça que opera em nós a capacidade de liberar perdão. Quando o perdão reina em nossos relacionamentos, nossa reunião se torna libertadora e cheia de alegria. Por isso, quando nos reunimos no nome e na presença de Cristo, liberamos perdão.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa