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Mensagem de 17.09.17

Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? (Lucas 10.29).

Parece-nos que, em pleno século XXI, essa pergunta ainda merece reflexão e um profundo desejo de compreensão quanto ao seu significado. O contexto é de um questionamento feito por um intérprete da Lei (do grego nomikos = advogado) a Jesus, quanto à vida eterna e como herdá-la. A resposta foi direta, precisa e centrada no imperativo de amar a Deus com todo nosso ser (coração, alma e forças) e ao nosso próximo como a nós mesmos (Lucas 10.27), expresso na Lei por aquele homem que a conhecia muito bem.

Mas uma dúvida ainda havia, uma justificação ainda era levantada por aquele teólogo judeu: Quem é o meu próximo? Os judeus acreditavam que a palavra próximo se referia apenas aos que seguiam as tradições judaicas (Levítico 19.18). Assim, esse homem e, talvez, alguns discípulos de Jesus se consideravam justos por tratarem com bondade seus irmãos judeus, mas poderiam desprezar um não judeu, pois ele não era realmente seu próximo.

Por intermédio da história de um homem (possivelmente judeu) que precisava de ajuda por ter sido atacado por assaltantes enquanto ia de Jerusalém para Jericó, Jesus lança luz sobre a pergunta do advogado da lei. Por aquele caminho passavam um sacerdote e um levita que, ao verem o homem ferido, passaram de largo, literalmente, passaram pelo outro lado da estrada. Certo homem samaritano, povo desprezado pelos judeus, passou bem perto; vendo o homem ferido, compadeceu-se dele, tratou de seus ferimentos, derramou sobre ele do seu óleo e vinho, levou-o sobre seu animal a uma hospedaria, tratou de suas feridas e pagou as despesas necessárias. Jesus, então, sábia e amorosamente, pergunta ao mestre da lei: Qual dos três parece ter sido o próximo do homem ferido? Ao que este respondeu: O que usou de misericórdia para com ele (Lucas 10.30-37).

Hoje, ainda ouvimos esta pergunta: Quem é o nosso próximo? É aquele que se reúne conosco nas celebrações e nas células, mas também são aqueles que passam pelo caminho; é o que está perto de nós na nossa Jerusalém (Londrina), mas também são os da Judeia (Brasil), os de Samaria (marginalizados) e até os que estão nos confins da terra; é o que pensa e age como nós, mas também são os diferentes; é o da nossa pátria, mas também são os estrangeiros; é o que carece de um prato de comida, mas também são os que precisam de um abraço, enfim, são todos aqueles que precisam de cuidado.

Sejamos uma comunidade amorosa e diaconal que quando nos reunimos servimos o nosso próximo em obediência à instrução de Jesus dada ao intérprete da lei: Vai e procede tu de igual modo (Lucas 10.37).

Rev. Pedro Leal Junior