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Mensagem de 29.07.18


Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo (1 Coríntios 12.27).
 

Qual a relação do olho com o dedo? Nenhuma? Então deixe um cisco entrar no seu olho e me diga para onde seu dedo irá. Ou deixe uma farpa entrar no seu dedo e me diga para onde seus olhos se voltarão. Dentre as lindas metáforas usadas para descrever como fomos feitos igreja, certamente uma das mais didáticas é nos enxergarmos como corpo. Não qualquer corpo, mas o corpo de Cristo, ou seja, corpo que tem Cristo por cabeça (Cl 1.18). Vamos entender melhor nossa identidade como igreja por intermédio dessa figura.

Tudo começa pela compreensão da singularidade do corpo: Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres (1 Co 12.12-13). O Corpo de Cristo é singular, pois é único, uno, sui generis, distinto e incomparável. Singularidade fala de sua unicidade e unidade. Quando recebemos Jesus Cristo como Salvador e Senhor de nossa vida, somos imediatamente batizados, inseridos, enxertados no corpo. Nenhum dos salvos fica fora. Não há distinção de raça, cor, língua, nacionalidade, nível econômico ou social. Apesar de muitas placas de igreja, muitas denominações diferentes, aos olhos de Deus existe somente uma única igreja, um único corpo, regido pelo seu cabeça, Cristo (Ef 1.22-23). Sem unicidade, restaria um corpo dividido, esquartejado, dilacerado, ou seja, morto.

Além da singularidade, é necessário aceitarmos a pluralidade do corpo: Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? (1 Co 12.14-19). O corpo de Cristo é plural, pois é diversificado, variado, multimodo, multiformatado e múltiplo. Pluralidade fala de sua diversidade e abundância. Justamente da diversidade se obtém riqueza, da variedade se expressa beleza, da pluralidade emana virtude, e disso tudo se torna conhecida a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10). Sem diversidade, restaria um corpo disfuncional, inerte, imóvel, enfermo, cheio de monotonia, mesmice e tédio.

Sendo singular e plural ao mesmo tempo é o que torna possível a complementaridade do corpo: Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam (1 Co 12.21-26). O corpo de Cristo é complementar, pois é interligado em seus sistemas, conexo em suas partes, solidário entre si e recíproco em suas funções. Complementaridade fala de sua mutualidade e interdependência. Sem complementaridade, quando um membro deixar de cumprir sua função, todo o corpo sentirá. A falência de um membro causa sobrecarga em outro. A falência múltipla leva à morte.

A conclusão dessa linda imagem é simples: somos um, diferentes e interdependentes. Vivendo assim, todo o corpo, suprido e bem-vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus (Cl 2.19).

Rev. Rodolfo Garcia Montosa