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Mensagens de 08.09.19


E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito ... sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo (Efésios 5.18, 21).


Sujeitar-se é submeter-se, subordinar-se, obedecer, depender, seguir. É uma orientação bíblica tão contrária aos valores deste mundo que chega a doer nos ouvidos de muitos. Tem gente que até se sente ofendida e pensa que o princípio bíblico está equivocado. Mas é a cultura desse mundo que ficou de ponta cabeça. O problema na sociedade é que se tornou insubmissa a Deus e às pessoas que refletem o coração de Deus.

É claro que não estamos falando de sujeição à injustiça, perversidade, iniquidade, pecado, malignidade, maldade. Jesus, por exemplo, quando criança, foi submisso a seus pais (Lucas 2.51), quando adulto ao Pai celeste (João 4.34; 5.30, 36; 6.38; 17.4), mas não se sujeitou aos hipócritas (Mateus 23.15-23), mentirosos (João 8.44), opressores (Lucas 4.18), soberbos (Tiago 4.6), muito menos a Satanás (Mateus 4.1-11). Por isso, também, José não se sujeitou à sedução de sua patroa, esposa de Potifar (Gênesis 39.7-15); Daniel não se sujeitou às ordens que proibiam orar a Deus (Daniel 6.7-13); os apóstolos não se sujeitaram às autoridades que determinavam, sob ameaça, que negassem sua fé em Jesus (Atos 4.18-20).

No ambiente comunitário, entre nós, uns aos outros, seguindo a verdade em amor (Efésios 4.15), o apóstolo Paulo ensina algumas importantes marcas sobre a sujeição:

Sujeição é marca de quem é cheio do Espírito Santo: enchei-vos do Espírito. Por um lado, a marca de alguém cheio do Espírito Santo é um coração que considera o outro também um canal do Espírito Santo. Nosso relacionamento com o outro vem acompanhado de uma disposição de ouvir, de perceber o caráter de Cristo no outro, considerando, em humildade e verdade, o outro superior a nós, em vários aspectos (Filipenses 2.3; 1 Pedro 5.5). Por isso, nos submetemos. Por outro lado, porque nos submetemos, nos enchemos do Espírito Santo que se manifesta por meio da vida do outro. Somos abençoados pelo depósito de Deus sobre a vida do outro quando nos abrimos a receber (Mateus 10.41).

Sujeição é marca de quem anda no temor de Cristo: no temor de Cristo. Por um lado, onde há temor de Cristo, ali deve haver sujeição. Quer seja no relacionamento conjugal (Efésios 5.22-33), entre pais e filhos (Efésios 6.1-4), no relacionamento profissional (Efésios 6.5-9; 1 Pedro 2.13-17), com os que são mais velhos (1 Pe 5.5), com autoridades (Romanos 13.1-7), com líderes espirituais (Hebreus 13.17), somos inspirados a nos sujeitar aos outros como expressão de como tememos a Cristo. Por outro lado, todo aquele que está verdadeiramente sujeito a Cristo, nas áreas de sua vida que estão sujeitas a Deus (Tiago 4.7), adquire autoridade para inspirar que outros se sujeitem na mesma intensidade.

Sujeição é marca de quem vive a dinâmica de sujeitando-vos uns aos outros. Há mutualidade, reciprocidade, interdependência, simultaneidade, sincronia. Por um lado, somos chamados a nos sujeitar a outros, reconhecendo a vida do outro como modelo, do exemplo e do conhecimento de Deus diante de nossa imaturidade. Por outro lado, somos desafiados a ensinar o outro por intermédio de nosso exemplo que revela Cristo, pois os outros são chamados a se sujeitarem a nós. Um lindo exemplo é a sujeição mútua que aconteceu entre Pedro e Paulo (Gálatas 2.11-14). Dois grandes líderes que se sujeitaram um ao outro, mostrando que sujeição neste nível conduz a diálogos sinceros. Justamente aqui está a beleza do um ao outro. O resultado final é que quando nos consideramos uns aos outros, nos estimulamos ao amor e a fazermos o bem (Hebreus 10.24).

Sujeição é a ação do Espírito Santo em nós, para nos fazer viver como Cristo, de maneira abençoadora uns aos outros. Vamos, pois, abandonar todo tipo de construção mental que nos afasta de viver na bênção de nos sujeitarmos uns aos outros no temor de Cristo.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa