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Mensagem de 12.11.17
 

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (Isaías 53.5).
 

Existem duas dimensões do pecado: transgressão e iniquidade. Transgressão é o pecado realizado; iniquidade é a inclinação de pecar. Transgressão é infringência; iniquidade é intenção. Transgressão é violação objetiva; iniquidade é violação subjetiva. Transgressão é feitura do mal; iniquidade é maquinação do mal. Transgressão é rebelião contra algo expresso, externo e escrito; iniquidade tem relação com algo interno, com a perversidade, com os impulsos maus do íntimo do coração, sentimentos e mente. Transgressão é a violação a uma lei em desobediência explícita. Iniquidade é a inclinação distorcida e secreta do homem interior.

Para entender melhor, segundo Jesus, por exemplo, matar é transgressão, enquanto ódio é iniquidade: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo (Mt 5.21-22). Outro exemplo, segundo Jesus, adulterar é transgressão, enquanto olhar impuro é iniquidade: Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela (Mt 5.27-28).

Davi compreendeu muito bem as dimensões exterior e interior do pecado. Por isso, quando foi flagrado pelo profeta Natã a respeito de seu caminhar errante e desviado (2 Sm 12), clamou a Deus:  apaga as minhas transgressões (Sl 51.1), eu conheço as minhas transgressões (Sl 51.3). Sabia que havia transgredido três leis claras do Senhor: não matarás; não adulterarás e não cobiçarás a mulher do teu próximo (Êx 20.13-14,17). Leis expressas foram quebradas expressamente. Seria como que dissesse: “Senhor, cobicei, adulterei e assassinei”. Conhecia sua culpa e sabia que não havia mais nada que pudesse ser feito para reparar seu erro, a não ser a misericórdia do Senhor para ter sua transgressão apagada por completo. Também reconheceu: lava-me completamente da minha iniquidade (Sl 51.2), eu nasci na iniquidade (Sl 51.5). A maldade havia tomado o íntimo de Davi e ele desejava ser limpo dela. Percebia em seu mundo interior que tinha sido tomado por essa bactéria iníqua, estava dominado em seu mundo interior pelo vírus da perversidade. Como se dissesse: “Em meu mundo interior fui hipócrita, errante, impuro, vergonhoso, malvado. No mais íntimo de meu ser fervilham coisas vis que amam viver e se desenvolver nas trevas profundas”. Além de rebelde, Davi percebeu que era perverso. Antes de fazer maldades, imaginou o mal. Traçou planos, maquinou, arquitetou coisas terríveis. Essa compreensão bidimensional foi claramente percebida pelo salmista, quando declarou: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado (Sl 32.5).

A confissão de Davi não sabia o tamanho do preço que seria pago para que a graça perdoadora fosse liberada sobre ele. Por isso o profeta Isaías compreendeu que Jesus foi, primeiro, traspassado pelas nossas transgressões, segundo, moído pelas nossas iniquidades, para que, finalmente, pelo seu castigo recebamos paz e pelas suas pisaduras sejamos sarados. Fez isso de maneira irretratável, irrefutável, incontestável, inelidível, insuprimível, irretorquível, irrefragável, indiscutível. O grito de Jesus na cruz – Tetélestai – encontrou nosso coração arrependido para nos dar vitória definitiva sobre o pecado em todas as suas dimensões. Aleluia!

Rev. Rodolfo Garcia Montosa