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Mensagem de 04.12.16


Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha (Salmos 126.1).


Sonhar é um verbo que tem inspirado poetas e filósofos. Não foi muito diferente no caso do salmista que captou o coração do povo em um momento muito importante da história e lançou essa linda expressão ao ar: ficamos como quem sonha. Mas a história diz que os sonhos tinham sido roubados pelo inimigo, foram restaurados pelo Senhor e, finalmente, compartilhados por todo o povo.

Sonhos roubados pelo inimigo, quando Nabucodonosor entrou em Jerusalém e trouxe grande destruição tanto à cidade quanto ao povo. O Livro de Lamentações registra esse ocorrido e as suas consequências de forma muito vívida. Jeremias nesse livro registra não somente o exílio do povo, mas também as mortes, as humilhações, os estupros, a fome que se seguiu a ponto de mães matarem os próprios filhos para os comerem. A cidade ficou em ruínas, os muros foram derrubados e o templo destruído. O que se instalou na cidade tão populosa foi a ruína e a miséria. O povo foi deportado (2 Rs 17.6; 24 e 25) e humilhado (Sl 137). O cativeiro roubou os sonhos. De fato, foram setenta anos não somente de sonhos roubados, mas de terríveis pesadelos. Qual o tipo de cativeiro pode estar roubando seus sonhos hoje?

Sonhos restaurados pelo Senhor, quando cumpre todas as suas promessas de libertação. Isso mesmo: promessas. O mesmo profeta que havia escrito suas lamentações, havia profetizado com precisão que o cativeiro tinha prazo contado de setenta anos (Je 25.11; 29.10). Também o profeta Isaías havia predito com exatidão 150 anos antes do ocorrido o nome do governante da Babilônia que seria usado por Deus para libertar o povo: que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado (Is 44.28). Essas profecias revelam a soberania da regência de Deus na história do seu povo. Mais ainda, a expressão “sorte restaurada” não é uma simples misericórdia da volta ao lar, mas um quadro de labuta coroada com bênçãos incontáveis e abundantes. Essa é a mesma figura que aconteceu na vida de Jó: Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra (Jó 42.10). Ora, quando o Senhor restaurou a sorte desta maneira generosa e abundante, todo o povo voltou a sonhar. Somente a libertação de Deus em nossas vidas restaura nossa capacidade de sonhar. Você conhece as promessas do Senhor sobre sua vida?

Sonhos compartilhados pelo povo de Deus, quando o salmista insiste em usar termos coletivos. A sorte restaurada não foi somente de um indivíduo ou de uma família, mas de Sião. O sentido mais importante dessa expressão é que Sião significa a totalidade do povo de Deus, desde aqueles tempos até o futuro glorioso da Jerusalém Celestial (Is 60.14; Hb 12.22; Ap 14.1). De igual maneira, o sentido coletivo é percebido ao usar a primeira pessoa do plural (ficamos como quem sonha) ao invés do singular (fiquei como quem sonha). Quando o Senhor restaura a sorte de todo um povo, a alegria torna-se incontida e transbordante. Quais sonhos temos sonhado juntos como povo de Deus?

Quando o Senhor entra em nossa história, nos liberta de todo tipo de cativeiro e toma as rédeas de nossa vida. Sua intervenção torna-se transformadora e ele nos faz sonhar sonhos relevantes, como ele mesmo sonha para nós.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa