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Mensagem de 17.06.18


No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (João 1.1).


Quando vamos apresentar algo ou alguém, precisamos usar de recursos de comunicação. Não há nada mais apropriado do que usarmos a palavra para esse fim. A palavra escrita, falada ou interpretada por meio de sinais é um poderoso instrumento para transmitir não apenas conhecimento, mas vida e poder. Don Gosset, no livro “Há poder em suas palavras” nos ajuda a compreender melhor essa realidade. Nesse livro, o autor trata da influência que as palavras podem ter sobre a nossa vida, pois elas são uma espécie de condutor espiritual de paz, de amor, de alegria ou de tristeza, de ódio e de rancor. Depende muito de como usamos as palavras no cotidiano.

Quando olhamos para o princípio de toda a criação e visitamos o livro de Gênesis, o livro do início de tudo (bereshit – no princípio), nós vemos Deus criando todas as coisas por intermédio do poder de sua palavra. A expressão “Disse Deus” é recorrente nas mais diversas formas, e, quando aparece, algo transformador acontece. Pela palavra, Deus criou tudo o que existe.

O evangelista João, segundo Maclaren, diferentemente dos demais evangelistas que começam sua narrativa em Belém, inicia seu evangelho com o “seio do Pai”. João nos leva até as profundezas da eternidade, antes do tempo ou das criaturas. Enquanto Gênesis nos leva para o depois do princípio, João nos leva para o antes do princípio. Nesta narrativa, tempos e criaturas surgiram, e, quando essas surgiram a Palavra já era, e a Palavra é Jesus Cristo.

Segundo Mateus Henry, a razão mais simples pela qual o Filho de Deus é chamado de Palavra, parece ser o fato de que como nossas palavras explicam nossa mente aos outros, assim o Filho de Deus foi enviado para revelar a mente de seu Pai ao mundo. Barnes complementa dizendo que o Filho de Deus pode ser chamado de Palavra, porque ele é o meio pelo qual Deus promulga sua vontade e emite seus mandamentos. Leia Hebreus 1.1-3.

É desta maneira que o evangelista prova que Cristo é Deus. Ele afirma sua existência no começo e sua convivência com o Pai: O Verbo estava com Deus. Essas palavras expressam a coexistência mas, ao mesmo tempo, a distinção de pessoa. O ser, cuja existência é afirmada no "estava" é considerado distinto, mas não sozinho, como sempre em comunhão com Deus, segundo Ellicot. O Verbo era Deus. Essa é a conclusão da declaração crescente. Ele mantém a distinção de pessoa, mas ao mesmo tempo, afirma a unicidade da essência.

Na Palavra preexistente, o Verbo (Logos) era todo o poder criativo de Deus, todas as coisas foram feitas por ele, e não como um instrumento apenas. Sem ele não foi feita coisa alguma, do anjo mais alto à menor criatura ou molécula.  Nele, Jesus, está a vida (Jo 1.4), e em Cristo continua a essência da vida. Fora de Cristo não há vida, há morte.

Por isso, o Verbo, que era desde o início, se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14). Segundo Willian Hendriksen, o Verbo estava no mundo... mas o mundo não o conheceu. Veio para sua própria casa, mas seu próprio povo não o recebeu (Jo 1.10-11). E, no entanto, no meio deste mundo ingrato, ele manifestou seu amor supremo. A Palavra, apesar do imenso prazer que possuía, por estar na presença de seu Pai, dispôs-se a descer ao reino de miséria e montar sua tenda, por um pouco, no meio dos pecadores. Agora Deus é visto coberto de carne.

A Palavra se manifestou cheia de graça, acolhedora a todos, e de verdade, desfazendo toda mentira e revelando o amor do Pai. Esta Palavra, Jesus, está hoje acessível a todos quantos o receberem, e aos que o receberem serão reconhecidos como filhos de Deus, porque creram em seu nome (Jo 1.12).

Devemos ouvir a Palavra revelada de Deus e nos prostrar diante do Verbo vivo, correr hoje para Jesus.

Rev. Pedro Leal Junior