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Mensagem de 13.05.18


Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor... (João 15.1-11).


Era noite, logo após a Ceia do Senhor ou a caminho do Getsêmani. Na memória dos discípulos estava o pão partido e o gosto do vinho (fruto da videira). Judas havia traído Jesus e saído, era um ramo que estava com eles, mas não pertencia a eles (Jo 13.30 e 14.31).

O texto em estudo é uma alegoria, ou seja, o uso de figuras ou objetos em uma narrativa para dar significado a outras coisas. Nesse tipo de narrativa se deve observar cada detalhe, pois ela é cheia de significados.

Temos três elementos centrais na história: o agricultor, a videira e os ramos. Deus Pai é apresentado aqui como o agricultor ou viticultor, aquele que é o dono de tudo e cuida de tudo. Jesus parte da verdade de que tudo está debaixo da direção amorosa de Deus, que é santo e soberano. Ele tem nas mãos o poder de cuidar, limpar e, também, de jogar fora os ramos que não correspondam a sua expectativa.

Jesus é apresentado por ele mesmo como a videira verdadeira. Veja, não é apenas videira, mas videira verdadeira. Se ele é a verdadeira, significa que existe a falsa.

Vamos entender o contexto: para os judeus conhecedores do Antigo Testamento, Israel era apresentado como a videira de Deus (Sl 80.8-16; Jr 2.21): Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta dileta do Senhor (Is 5.1 – Ler até o 7). A nação de Israel era apresentada nas moedas da época por uma videira. Assim, pertencer ao povo de Israel era ser automaticamente e exclusivamente vinha desse agricultor.

Agora, Jesus vem aos discípulos e diz: Eu sou a videira verdadeira (João 15.2). Assim, para fazer parte do povo de Deus precisamos estar ligados a Cristo, a videira verdadeira, não a um povo, não a uma igreja, não a uma religião, mas ligados a Cristo, a Videira Verdadeira.

As pessoas, os seres humanos, são os ramos. Há aqui dois grupos distintos representados, ambos estão colocados diante de Cristo, ambos estão aparentemente vivendo em Cristo. No entanto, são absolutamente diferentes um do outro. Uns produzem frutos, outros não. Jesus se dedica a explicar como o agricultar trata os ramos.

Aquele que não permanecer em Cristo se apresenta como o ramo que não fica ligado à videira, e esse recebe cinco punições: 1) Lançado fora; 2) Secará; 3) Será apanhado; 4) Lançado no fogo e 5) Queimará. Veja-se a parábola do joio, em Mateus 13.24-30, a do fogo inextinguível de Marcos 9.43 e Apocalipse 20.15.

As pessoas que permanecem em Cristo são como os ramos que produzem frutos, esses são limpos, são literalmente podados. As videiras quando são podadas produzem uvas doces; quando não são podadas, seus ramos crescem muito, se espalham e as flores que lhes nascem sugam toda a seiva dos ramos e não geram frutos. Que frutos são esses? São os frutos do Espírito (Gl 5.22-23), são todas as boas obras que Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef 2.10), e são os filhos espirituais que vamos gerar em nossa caminhada cristã (Mt 28.18-20).

Podemos, então, pensar que devemos fazer muitas coisas para Deus, produzir muitos frutos para Deus. Não! Veja a exortação de Jesus: Sem mim nada podeis fazer. O que nós precisamos é permanecer em Cristo, ficarmos ligados a Cristo, os frutos nascerão naturalmente.

Nos versículos de 1 a 11 de João 15, aparece onze vezes o termo: permanecer. Jesus está querendo dizer algo para nós. Quando eu e você permanecemos em Cristo e as palavras dele permanecerem em nós, três coisas vão acontecer: 1) Daremos frutos, mais frutos e muitos frutos; 2) Pediremos o que quisermos e seremos atendidos. É lógico que se estamos nele e a palavra dele em nós pediremos aquilo que está no centro da vontade do Pai. O que eu quiser, será o que Deus quer; 3) Teremos alegria completa. Não a nossa alegria, mas a alegria de Cristo em nós.

O convite hoje é o de correr para Jesus, e permanecer na videira verdadeira.

Rev. Pedro Leal Junior