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Mensagem de 27.12.15

Isaías 6.1-13

Neste mês de dezembro refletimos em nossas mensagens sobre diversos sonhos registrados na Bíblia, sonhos nos quais Deus se revelou, revelou os seus propósitos aos seus servos e envolveu os sonhadores na realização da sua obra no mundo. Hoje vamos refletir sobre a visão que Isaías teve da glória de Deus, visão esta que transformou radicalmente a sua vida e o preparou para uma missão desafiadora.

Visão da glória de Deus. Do capítulo um a cinco o foco da visão de Isaías era o povo de Israel.  Ele denunciou a nação pecadora que estava enferma da cabeça aos pés (1.6), o culto hipócrita que causava sofrimento em Deus (1.14), os poderosos que esmagavam o povo e moíam a face dos pobres (3.15), a futilidade das mulheres luxuosamente produzidas (3.16-26) e desferiu terríveis ais sobre os perversos e corruptos (5.8-30). No capítulo seis a visão se volta para Deus: ...eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo (6.1). Serafins proclamavam: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória (6.3). Como sempre, a visão de Deus produz temor e deslumbramento! As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça (6.4). Quando os nossos olhos se voltam para Deus, podemos perceber também que ele é soberano e que a terra está cheia da sua glória, apesar da imoralidade, da violência, das injustiças e da corrupção que assolam a terra. Esta visão é o ponto de partida para nos elevarmos ao nível dos pensamentos e dos caminhos de Deus para que nos tornemos agentes de mudanças a partir da situação em que vivemos.

 A visão da miséria humana. Diante da visão de Deus, o profeta exclamou: ai de mim! Estou perdido! Porque eu sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! (6.5). Na presença de Deus Isaías se viu com lábios impuros, como realmente era, fazendo parte de um povo de impuros lábios. Quem poderia suportar um julgamento perfeito como é o de Deus? Quem poderia acusar sem ser acusado? Quem teria autoridade para denunciar os pecados individuais e coletivos? Diante das respostas óbvias, havia esperança? A convicção de pecado e a confissão franca são condições para a redenção operada pela graça de Deus. A um coração quebrantado e contrito, Deus não despreza (Salmos 51.17).

A visão da graça redentora. Diante da situação de assombro vivida pelo profeta, Deus tomou a iniciativa. Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado (6.6-7). Esta experiência aponta para Cristo. A brasa foi tirada do altar de incenso de onde subia para Deus o aroma suave dos sacrifícios. Paulo escreveu: ...andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Efésios 5.2). A graça encontra a verdade quando há confissão franca e verdadeira. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Joao 1.8-9). Quando a graça encontra a verdade, a justiça e a paz se beijam (Salmos 85.10; Romanos 5.1).

A visão da missão desafiadora. Deus tinha um propósito não só para Isaías, mas para o seu povo. Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim (6.8). A missão não seria fácil. A mensagem do profeta não seria recebida (6.9-10), a nação seria arrasada (assírios e babilônios) (6.11-13), mas a missão do profeta era necessária para preservar a santa semente. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco (6.13b). Desta santa semente veio Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador. Ao explicar a incredulidade dos judeus (João 12.37-43), o evangelista afirma que Isaías profetizou o que está no texto estudado quando viu Cristo e a sua glória (João 12.41).

Que esta mensagem nos ajude a voltarmos para Deus para sermos constantemente transformados pela sua graça, com o propósito de nos colocarmos nas mãos de Deus como instrumentos de transformação pelo evangelho, a partir do país onde estamos vivendo.

Rev. Mathias Quintela de Souza