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A mensagem da cruz: Palavras de salvação

Eu afirmo a você que isto é verdade: hoje você estará comigo no paraíso (Lucas 23.43 - NTLH).

Estava caminhando no céu quando, de repente, encontrei alguém muito conhecido na história. Olhei e reconheci-o. Mas, como ele poderia estar lá ao lado de tantos santos? Meus pensamentos aceleraram. Sem controlar, já tinha feito a pergunta: Mas, você aqui?

Estava diante do ladrão da cruz, de um dos dois que morreram ao lado de Jesus no Gólgota.  Educadamente ele começou a falar: Excelente pergunta essa: “você aqui?” De fato, minha história não deixa qualquer dúvida que não fiz nada para merecer estar aqui. Ao contrário, toda a malignidade que vivi e produzi era motivo suficiente para estar muito longe. Continuou dizendo para mim: Meus olhos estavam muito inchados de tanto que apanhei. Meus ouvidos tinham um zumbido dos chutes que levei na cabeça. Em meio à turbulência de meus últimos momentos de vida, ouço alguém ao meu lado, pendurado também no madeiro, esfolado pelas chibatadas, sendo provocado por aquele povo rebelde. Com muita dificuldade consegui concentrar-me em suas palavras. Tudo parecia surreal, pois ele, com seus olhos voltados para o céu, dizia: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Aquelas palavras penetraram profundamente minha alma. Comecei a pensar em como Deus poderia ser chamado de pai? Somente por um filho. Isso mesmo, estava ali o filho de Deus. Como Deus poderia perdoar aquela maldade toda que estavam fazendo com ele? Somente por amor. Isso mesmo, profundo e louco amor. Aquelas autoridades zombavam e escarneciam e ele ainda pedia misericórdia a Deus? Fiquei bastante confuso. Tinha algo muito fora de ordem. Fiquei revoltado com todos e comigo mesmo. Eu merecia tudo e muito mais que estava sofrendo, mas aquele ao meu lado era um santo.

“Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também”, escarneceu meu amigo pendurado do outro lado. Naquela hora explodi dizendo: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.” Voltei-me para Jesus. Seu semblante refletia paz, mesmo tão agredido. Chorei amargamente, pois percebi que ele estava ali voluntariamente. Ele não merecia, nem precisava. Minha consciência da minha natureza má, corrupta, pecaminosa, desprezível era total. Clamei que Jesus se lembrasse de mim quando entrasse em seu Reino. Dessa maneira, sem saber muito bem, estava clamando pela sua misericórdia.  Amorosamente, ele me prometeu que ainda naquele dia estaria com ele aqui no paraíso. Isso aconteceu! Aliás, só por isso estou aqui!

Em meio à profunda alegria, continuou seu relato: Jesus foi muito além do que eu estava pedindo. Referi-me a um futuro remoto com as palavras “quando entrares”, mas Jesus respondeu com firmeza “hoje”; pedi timidamente com as palavras “lembra-te de mim”, ao que Jesus respondeu com convicção “estará comigo”; citei algo que desconhecia completamente chamando de “teu Reino”, ao que ele sabiamente usou as palavras “paraíso”. Aquelas palavras poderosas de salvação ecoarão para todo o sempre em minha memória: “hoje mesmo estará comigo no paraíso!” Ele continuou: Meus olhos viram meu salvador ao meu lado na cruz. O castigo que me trouxe a paz estava sobre ele. Soube, naquele instante, que ele estava sofrendo por causa do meu pecado, estava sendo castigado por causa da minha maldade.

Abraçando-o, disse-lhe: Sua história é maravilhosa. Aliás, alguns poucos minutos da sua história são maravilhosos. Começamos a dar risadas juntos. Ele emendou: É isso mesmo, a parte maravilhosa da minha história é somente quando Jesus entrou nela e me fez entrar para a sua história. Sabe de uma coisa, minha história deixou bastante evidente que não é o que fazemos que nos traz aqui no céu. Só estamos aqui por aquilo que Jesus fez.

Enquanto ouvia aquele irmão amado, pensava em meu íntimo que Jesus compreende nossas necessidades muito além de nossas próprias petições. Assim ele agiu na cruz, assim ele continua agindo. Seu coração ultrapassa nossa percepção. Nele temos toda a provisão para a vida. Há esperança de salvação para todo aquele que nele crê!
 

Rodolfo Montosa
Trecho do livro de ficção “De repente, acordei” que será lançado em setembro de 2.016