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Confira um belo testemunho da família Montosa.

Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro (Filipenses 1.21).
 

Nesta última segunda-feira, 24 de agosto de 2.015, às 23h52, o Senhor Deus Todo-Poderoso decidiu recolher Rodney Garcia Montosa. Enquanto você está lendo este breve texto, o Rody, como costumávamos chamá-lo em família, já experimenta as delícias que o Pai Celestial preparou especialmente para seu filho amado.

Como família, somos imensamente gratos a Deus pelo privilégio do convívio sempre tão alegre com o Rody ao longo de seus 53 anos. Agradecemos também a todos os irmãos na fé, familiares, amigos e a tantos preciosos profissionais da área da saúde pelo impagável apoio e carinho que recebemos neste um ano e meio de luta contra o câncer. As orações, palavras de conforto, abraços, ou mesmo o silêncio reverente que temos recebido têm sido fundamentais no processo de consolo que estamos passando.

Neste período testemunhamos as reações do Rody perante seu grave quadro clínico. Fomos impactados pela maneira especial como a presença de Cristo ficou evidente em seu coração. Assim que recebeu o diagnóstico de câncer terminal, o Rody disse: “Então quer dizer que estou no lucro, doutor?” À primeira vista o médico pensou que ele não tinha entendido a gravidade de sua doença. Ao contrário, entendeu tão bem que encarou a morte como uma oportunidade para a vida eterna, parafraseando o apóstolo Paulo no texto citado acima. Não desejava morrer, pois amava a vida, mas não temeu a morte, como está escrito: ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum porque tu estás comigo, o teu bordão e o teu cajado me consolam ...e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre (trecho Salmos 23). Se tem fé quem crê que pode ser curado, o que dizer de quem percebe a morte como lucro? Podemos afirmar: Rodney - um homem de fé!

Ao longo de 18 meses foi submetido a 2 cirurgias, 30 sessões de radioterapia, e mais de 100 sessões de quimioterapia. Alguns ficariam revoltados, reclamando da vida, de Deus e de tudo o mais. Não foi essa a reação do Rodney. Ao contrário, submeteu-se mansamente a todo o processo. Vimos em sua vida o caráter de Cristo: como um cordeiro perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca (Atos 8.32). Ficou mudo, não por medo, mas por mansidão. Mesmo em meio ao sofrimento, jamais reclamou, nem murmurou, mas dizia: “O que importa é estar bem no centro da vontade de Deus!” Podemos afirmar: Rodney - um homem manso!

Ser bem-humorado quando a vida sorri para você é uma coisa. Agora, manter-se serenamente alegre quando a vida agride, é para poucos. Em todo o tempo, brincava com todos exalando seu humor refinado. Logo após o diagnóstico, quando alguém se oferecia: “Rodney, tem algo que possa fazer por você?” Ele não titubeava: “tem sim: coloque sua cabeça em meu lugar na cirurgia”. Arrancava sorrisos amarelados. Dizia coisas do tipo: “olha lá, quando chegar no céu, saberei quem realmente orou por mim”. Em outros momentos perguntava: “quer que eu leve algum bilhete pra Jesus?” Por estas e tantas outras, podemos afirmar: Rodney - um homem bem-humorado!

Embora soubéssemos da gravidade do Glioblastoma, jamais perdemos a esperança. Sabemos que Deus tem poder para curar. Mas seu plano foi outro. Ele é soberano sobre a vida. É Deus quem decide a hora de entrarmos e sairmos do palco da vida. Após o longo tratamento, toda a família foi surpreendida com uma ressonância indicando que o tumor não somente estava lá, mas ainda mais agressivo. Ao saber desse resultado, ele encaminhou uma mensagem para nós dizendo: “Família, não se preocupe, pois teremos uma eternidade juntos!” Quem diria isso se não fosse alguém inspirado pelo Espírito Santo? Quem inventaria palavras poéticas como estas se elas não lhe tivessem sido sopradas por Aquele que é Eterno? Podemos afirmar: Rodney - um homem cheio do Espírito!

Muitos afirmam que a fé é subjetiva. Ao contrário, a fé é extremamente objetiva. Subjetiva é a incredulidade. A fé cristã está calcada no fato real e histórico da ressurreição de Jesus Cristo. Como prisioneiro político, o corpo de Jesus foi guardado de maneira selada pela guarda romana – maior império da época. O corpo não foi roubado, nem os maiores historiadores e cronistas calados. O que aconteceu é que Jesus apequenou a morte, vencendo-a através da ressurreição. Ressuscitou e nunca mais morreu. Está vivo e dá vida a todo aquele que nele crê, que a ele se entrega, a ele se rende.

Por isso, apesar de sua grande criatividade e imaginação como arquiteto, Rodney vive neste momento o que jamais penetrou em sua mente, nem seus olhos viram beleza similar, muito menos seus ouvidos perceberam os distintos sons que agora o embebedam. Seu humor refinado agora alcança motivos para largos sorrisos e saltos de alegria. Está tomado de júbilo incontido ao contemplar a arquitetura celestial surpreendente, detalhada e rica dos materiais mais exóticos e preciosos. O planeta terra ficou mais triste, mas, o céu, ao contrário, encheu-se de alegria. Mas, muito além das ruas de ouro, das pérolas entalhadas, das pedras preciosas adornando as praças, seus olhos brilham e seu corpo estremece ao encontrar-se com Jesus Cristo de braços abertos e olhar de eterno amor, dizendo: servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor (Mateus 25.21). Recusamo-nos a dizer que amávamos o Rodney. Declaramos que amamos o Rodney, pois ele está vivo com Cristo.

Família Montosa

Rodney Garcia Montosa (3/12/1961 – 24/08/2015)

Filho de Elias e Leontina, esposo de Silvana, pai de Clarice, Bruno e Bernardo, sogro de Pedro e Ana, avô da Laurinha, João, Manuela e Joaquim, irmão, cunhado e tio bem-humorado e amigo de incontáveis. Acima de tudo, filho do Pai Celestial, pela mediação da cruz de Cristo, no poder do Espírito Santo.