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Legado de fé e amor aos marginalizados.

Netos da diaconisa Lucila Grillo Guedes compartilham bonitos testemunho sobre a vida dela. Confira!

 

Aos 18 dias de janeiro de 2019, por volta das 15 horas, Lucila Grillo Guedes, 98 anos, fechou os olhos como quem dorme, mansamente, após um longo dia de trabalho e partiu deste mundo para junto de Deus Pai.

Seu longo dia de trabalho começou ainda moça quando, casada com o Reverendo Agenor da Cunha Guedes, laborou junto às igrejas presbiterianas independentes de São Paulo, Mato Grosso e do norte do Paraná, tendo sido diaconisa. A diária se encerrou quando contava mais de oitenta anos e, as vicissitudes da idade, obstavam-lhe atividades correntes.

Ao longo dos anos, Lucila Grillo Guedes acolheu crianças abandonadas; amparou viúvas; atendeu mães solteiras, prostitutas e moradoras de rua; visitou Casas de menores infratores; levou roupas, materiais de higiene, a Bíblia a penitenciárias; ensinou jovens a conhecerem delegacias e a ouvirem a história de muitos detidos; visitou idosos e doentes debaixo de chuva e viajando, por horas, no caminhão pau de arara; costurou cobertas para os necessitados, contou e recontou a Bíblia em seu flanelógrafo azul para Escolas Dominicais e cultos em praças.

Orava continuamente e, às 12h e às 18h, de joelhos, parando o que estivesse fazendo. A neta Karina se recorda de certa feita em que, estando as duas no banco e sendo 18h, Lucila procurou um lugar num canto, ajoelhou-se e orou; o neto Renan se recorda de que, preparando o lanche da tarde e badalando as 18 horas, Lucila desligou a água do café, que quase já fervia, e foi ao quarto, levando o neto, para orarem ajoelhados.

Muitos contam de suas constantes visitas a penitenciárias e delegacias a fim de evangelizar detentos, detentas, menores infratores. Talvez a marca de uma mulher tão ousada indo a esses lugares, frequentemente esquecidos pela sociedade ou olhados com abjeção, tenha sido a mais notável.

Sabe-se que, certa vez, durante uma briga de trânsito, um policial civil assassinou a tiros outro motorista. O caso gerou comoção na cidade de Londrina e as novidades disparavam nas manchetes de jornais. Lucila, contrariando toda a população, carregou sua Bíblia até a delegacia para ouvir o assassino e evangelizá-lo. Enquanto o mundo pedia mais sangue, ela lhe levou a mensagem do Cristo que ama, perdoa e diz: Hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23.43).

Aqui está a maior expressão de que buscava se parecer cada vez mais com o Cristo que amou até o fim: olhou cada ser humano como idêntico a ela – pecador e carecedor da graça do Evangelho –, sem rótulos ou preconceitos, mas antes de tudo, com amor.

Mulher de palavra firme e temperamento forte não descuidou de sua família. Teve três filhas, sete netos, seis bisnetos; desses, precederam-lhe na morte o marido, duas filhas, um neto e um bisneto. Quando a filha Jane tinha apenas quatro anos, ensinou-a a manusear a Bíblia, encontrar o Salmo 23 e decorá-lo. A primeira Bíblia do neto Renan foi comprada por ela, que lhe ensinou o texto de Jó 19.25.

Lucila Grillo Guedes deixa como legado o exemplo de alguém que entendeu e viveu o Evangelho, amando Cristo acima de todas as objeções humanas; alguém que combateu o bom combate contra a ordem deste mundo que jaz no Maligno, completou a carreira, guardou a fé e descansou na paz de Deus.

Na certeza do texto ensinado ao neto: Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra, aguardamos a volta de nosso Redentor que, vivo, trará a ressurreição daqueles que nele dormem, como ela. Até lá, guardamos sua memória com saudade, pois essa é o amor que fica quando a pessoa amada se vai e amor ela espalhou, sem medida, por onde passou.

Renan Guedes Sobreira

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Meu nome é Alessandra, sou neta da missionária Lucila Grillo Guedes que, por muitos anos, auxiliou os pastores da IPI de Londrina e fazia alguns trabalhos como visitar o presídio central da cidade de Londrina e os hospitais, com a missão de falar do amor de Cristo para os presidiários e para os doentes. Possuía uma naturalidade para entregar panfletos sobre a Palavra de Deus às pessoas que passavam na rua por ela.

Tive a oportunidade de, algumas vezes, participar desses trabalhos com minha avó. Um trabalho feito com muito amor e respeito ao próximo. Recordo-me muito bem a primeira vez que eu e um grupo pequeno de crianças fomos visitar os presos. Ela nos ensinou como deveríamos nos comportar e o que falar para os presos. Foi uma experiência triste porque vimos pessoas jovens, prisioneiros,  naquele lugar pagando por um erro e, ao mesmo tempo, muito boa porque aprendemos com as palavras de minha avó que aquelas pessoas poderiam ser salvas, no nome de Jesus por meio do arrependimento. E ela, no decorrer de sua caminhada, soube de varias pessoas que saíram dali com um novo propósito de vida e, o mais importante, com a certeza de sua salvação. 

Eu, como neta que tive uma convivência muito próxima com ela, tenho várias histórias marcantes em minha vida. Quando criança, gostava muito de ir à casa dela, nos fins de semana, porque era certo vê-la subir no pé de fruta-do-conde, de abacate e apanhar as frutas para comermos, além de usar as árvores para se esconder dos netos. E vê-la correr em volta da casa brincando de pega-pega. Oh! Tempo maravilhoso! 

Sempre orávamos juntas. Ela tinha três horários de oração que, onde estava cumpria seu compromisso com o Senhor Jesus: 12h ; 18h ; 24h. Por quatro anos trabalhei numa empresa que ficava na quadra de sua residência, e aproveitei para fazer companhia e ter a presença dela comigo. Foram momentos marcantes para mim, pois estava na fase de querer casar e pude compartilhar esse sonho com ela e orarmos juntas. Nunca me esqueci: ela me pediu para eu descrever e escrever em um papel a fisionomia do rapaz (até a altura) e o que eu esperava dele. Não me recordo quanto tempo demorou para Deus enviar meu esposo, mas até a altura Deus se preocupou em trazer conforme estava escrito: pedi a altura acima de 1,80m até 1,90m. Meu esposo tem 1,87m. Quando minha avó estava em casa, os horários de oração eram no quarto, ajoelhada na beira de sua cama.E quando contei para ela que eu estava crendo que Deus tinha enviado meu esposo, fomos, imediatamente, para o quarto orar agradecer. E uma imagem que tenho em minha mente e guardo em meu coração é de todas as vezes que Deus respondia suas orações ela batia palmas tão forte e falava: Aleluia! Glória a Deus! E jogava beijo para o alto. Minha avó Lucila deixou um legado em minha vida. Obrigada, Jesus, pelo privilégio de ter essa avó que o Senhor me emprestou por muitos anos para me ensinar.

Alessandra Guedes Bereta