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Quando as pessoas se encontram, nas rápidas conversas, é comum falarem do tempo: "estou na correria", "não tenho tempo", "o tempo voa", "não vi o ano passar". Observando essas frases parece que temos um algoz nos oprimindo.

Convido você a acompanhar a rotina de uma personagem fictícia, cujo nome é Horah. Tome fôlego e vamos lá!

Horah levanta às 6h30, vai para a cozinha preparar o café da manhã para o marido e os filhos. Enquanto a água ferve, acorda as crianças – elas vão despertando a “prestação” – o marido já está no banheiro se aprontando para o trabalho. Enquanto pai e filhos tomam café, é a vez de Horah se arrumar. Tudo pronto! O marido deixa as crianças na escola, e Horah, no serviço. Ela sai às 12h, pega o ônibus 12h05, vai para a escola buscar as crianças, segue para casa pra preparar o almoço. O marido chega às 13h, são apenas 20 minutos para a refeição, antes das duas da tarde Horah tem que deixar o marido no trabalho para ficar com o carro e dar andamento nas atividades e na rotina dos filhos: natação, futebol, inglês... Volta para casa quase cinco da tarde. Antes de buscar o marido no trabalho, passa no mercado, na padaria, e já está pensando no que vai fazer para o jantar e nas tarefas domésticas que a esperam no terceiro turno. Enquanto o marido ajuda com o jantar e acompanha as crianças nas tarefas da escola, Horah recolhe a roupa, coloca outras na máquina e olha para a pilha perto da tábua e do ferro de passar: – “Hoje não”! O telefone toca, Horah atende:

– Alô!

– Oi Horah, quem fala é a Prudência Remilda. Tudo bem?

– Oi amiga, quanto tempo?!

– Pois é, o tempo...

– Gostaria de marcar um horário para tomarmos um café e colocar o papo em dia. Quando você pode?

– Hum... Gostaria muito, mas estou na correria, acho que essa semana não vai dar. Uma pena! Vou me programar – Horah estava conversando com a Prudência, mas o pensamento estava na lista de coisas por fazer.

–Tudo bem. A gente se fala depois, então. Até mais!

–Tchau.

Depois de fazer tudo que estava programado - inclusive oração e leitura bíblica em família - e colocar as crianças para dormir, Horah e o marido sentam um pouco na frente da televisão e Z Z zzzz... Vencidos pelo cansaço! Ufa! Agora é só aguardar o despertador anunciando o começo de um novo dia.

Você se identificou com Horah? Talvez a sua realidade e rotina sejam bem diferentes, mas uma coisa é certa, todos estamos sob a opressão de um mesmo algoz: o tempo (pelo menos é o que pensamos!). Que tal dar uma pausa na leitura desse artigo para refletir e, quem sabe, descrever a sua rotina? Desafio você a pegar caneta e papel ou digitar tudo o que faz no dia, na semana. Como tem utilizado o tempo? Talvez você descubra que o seu algoz é outro.

Urgências, emergências, intercorrências, interrupções, falta de limites, excesso de ócio são alguns dos usurpadores do tempo. Por mais que se faça um planejamento, ninguém está livre deles. Mas não precisamos nos deixar dominar por esses intrusos.

Na era da tecnologia, da comunicação virtual em tempo real somos bombardeados pelo excesso de informações, o que, muitas vezes, prejudica a comunicação, provocando ruídos. Minha intenção não é transformar a tecnologia, as redes sociais em vilãs. Elas podem poupar nosso tempo ou roubá-lo. Depende de nós.

Você já deve ter ouvido a frase: “Se tiver que dar uma tarefa para alguém, procure uma pessoa que tenha muita coisa para fazer”. Pois quem tem “tempo de sobra” pode acabar caindo na tentação da procrastinação. O excesso de ocupação e a falta do que fazer não refletem o equilíbrio. Talvez você esteja pensando: “ela fala isso porque não conhece a minha rotina”.

Pode soar como um clichê, mas o fato é que o tempo é o mesmo para todos. A vida moderna é cheia de desafios, mas podemos recorrer ao Espírito Santo que nos ensina todas as coisas e ele pode nos ajudar a administrar o uso do tempo. Quais são as prioridades? Elas podem variar conforme o momento da sua vida. Abrir mão de alguma coisa agora, não significa fazer isso para sempre. Planejar é importante. Se a tomada de decisão for difícil, busque ajuda. Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito (Provérbios 15.22). Você que é filho de Deus recorra a ele.

Deus orienta os seus filhos por meio do apóstolo Paulo: Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (Efésios 5.15-17).

Quem é o seu algoz? Você consegue identificá-lo? Se pensar bem e for honesto consigo mesmo vai perceber que não é o tempo. Liberte-se!

Vanessa  Sene Cardoso