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Quando chegará a tão sonhada "primavera árabe"?

A praça Tahrir no centro do Cairo está vazia. Em vez da multidão ávida por mudanças, uma grande bandeira do Egito tremula no local onde iniciou a tão festejada Primavera Árabe, em 11 de janeiro de 2011. Entretanto, depois de quatro anos do evento, que parecia estar mudando a face política das nações do oriente médio e norte africano, o quadro é outro. Na sequência do anseio democrático egípcio, quem subiu ao poder foi o Sr. Morcy, representante da Irmandade Muçulmana, braço político que há anos tenta impor a lei islâmica na região. Porém o radical durou apenas um ano no poder. Os militares moderados trataram de desempossá-lo e novas eleições foram propostas. E assim, a sonhada liberdade e flexibilização dos costumes nunca chegou, mas o país se manteve estável.

Sem igual sorte, países como Síria e Líbia entraram em colapso. Dentro desse ambiente surgiu o ISIS (Slamic State of Iraq and Syria), que nada mais é que um levante sunita contra os shiitas, financiado por Arábia Saudita, Qatar e debaixo das vistas grossas da Turquia.

Já a Líbia, fornecedora de gás e petróleo para a Europa está em colapso. As disputas de tribos, milícias, Isis, e outras forças surgidas depois da queda do ditador Kadaffi, fazem do país um verdadeiro inferno. Diariamente milhares de pessoas desesperadas aventuram-se no Mediterrâneo em busca de um refúgio, fazendo da costa europeia,  um cemitério macabro.

O mundo árabe, contudo, não mudou em nada. A economia na região registra os mais baixos índices da história recente. Hotéis quebrados e vazios dão o tom do sumiço dos turistas que querem ficar longe das degolas  e incertezas sócio políticas da região turbulenta.

Os cristãos, contudo, continuam debaixo de grande pressão e perseguição por partes de radicais islâmicos, que se multiplicam no mundo árabe. A radicalização, insuflada pela leniência americana e europeia, abriu espaço para o crescimento desse radicalismo, fazendo das minorias um alvo fácil do ódio muçulmano. Governos mais moderados e organizados como o da Jordânia, fazem o que podem. Porém com os polpudos financiamentos dos abastados do golfo e com a inércia turca, a carnificina instalou-se contra as minorias, mulheres e crianças.

Por incrível que pareça, O Irã acaba sendo a voz mais sensata na região. Pois o país dos aiatolás tem influência sobre todos. Domina o Hezbollah no Líbano; controla o Hamas e Fatah na Palestina; é o sustentador do governo Assad na Síria e está claramente dialogando com os radicais do ISIS, buscando uma solução para a região do Levante, que lhe é fronteiriça – Norte do Iraque e Síria, o campo do conflito.

No meio de tudo isso o que parece ter maior importância para as potências é se o Irã vai ou não poder fazer a bomba atômica. O número de refugiados nas fronteiras do Egito, Jordânia, Turquia e Líbano já ultrapassa os três milhões; órfãos e viúvas são milhares, sem nenhuma perspectiva à sua frente. O mundo conectado assiste inerte ao genocídio diário que mostra inocentes em macacões laranjas sendo imolados, pelo simples fato de serem cristãos, ou de uma outra facção islâmica que pensa diferente. As mulheres, cada vez mais subjugadas e abusadas, escondem-se atrás dos véus negros, que parecem ser sua única proteção.

Quem visita a região com seriedade, não pode ficar inerte. Algo tem que ser feito urgentemente. O Brasil recentemente abriu uma frente parlamentar para refugiados, com foco prioritário em órfãos do mundo árabe. Esta iniciativa apoiada por parlamentares de diferentes partidos, debaixo da liderança do mineiro Leonardo Quintão, com o apoio da ANAJURE – Associação Nacional de Juristas Evangélicos, frente na qual também estou engajado como jornalista e consultor internacional, tem como objetivo socorrer e trazer para nossa terra prioritariamente crianças, que se aglomeram aos milhares em campos da ONU, localizados nas fronteiras desérticas da região.

Como cristãos brasileiros chegou a hora da ação. Muitas igrejas e grupos evangélicos já estão engajados em fazer a diferença. Assim como juristas, parlamentares e diplomatas estão fazendo,  cada pessoa, cada cristão e Igrejas podem fazer a sua parte em oração, missão e auxílio, não apenas no Brasil, mas pelo mundo afora. Dessa forma o mundo árabe poderá então conhecer a verdadeira e tão sonhada primavera.

Asaph Borba  do Cairo, Egito.