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Este artigo contém preciosas lições de como conduzir as finanças pessoais.

Falar sobre finanças parece ser algo muito pouco espiritual. Sendo mais realista ainda, tenho a impressão que temos uma mente programada para associar esse assunto a algo totalmente diabólico. Lembramos de Mamom, coisas materiais e carnais. Acontece, entretanto, que, na prática, não podemos ignorar o fato de que lidamos com finanças todos os dias.

Existem 1.565 versículos que falam em dinheiro. Curiosamente, dos 107 versículos do sermão do monte 28 se referem a dinheiro. Além disso, Jesus se referiu ao dinheiro (ou riqueza) em 13 parábolas. Isso mostra como a Bíblia trata desse assunto com expressividade.

Vamos apontar alguns princípios bíblicos sobre finanças e citar referências dos textos para fundamentá-los. Abra seu coração e deixe o Espírito de Deus revelar em sua vida a aplicação de cada princípio desses. Quais estão sendo seguidos? Quais precisam ser aprendidos e vividos? Enfim, o que importa é entender, confirmar o que já se vive ou mudar naquilo que se precisa

1. Reconhecer que todo o sustento e provisão vem de Deus

Dt 8.17-18: Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas; para confirmar a sua aliança, que, sob juramento, prometeu a teus pais, como hoje se vê.

      Ag 2.8: Minha é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos.

2. Viver do nosso trabalho

Sl 128.2: Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás e tudo te irá bem.

      1 Ts 4.10-12: Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais e a diligenciardes por viver tranquilamente, cuidar do que é vosso e trabalhar com as próprias mãos, como vos ordenamos; de modo que vos porteis com dignidade para com os de fora e de nada venhais a precisar.

3. Contentar-se com o que se tem

       1 Tm 6.6-8: De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com o que vestir, estejamos contentes.

4. Não ter apego ao dinheiro

        1 Tm 6.9-10: Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.

        1 Tm 6.17-19: Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.

         Hb 13.5: Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.

5. Planejar os gastos – aliás, planejar vem antes de gastar!

               Lc 14.28: Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?

6. Nunca ficar devendo nada a ninguém

               Rm 13.7-8:
Pagai a todos o que lhes é devido: a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor...

         Pv 22.7b: O que toma emprestado é servo do que empresta.

7. Investir no que é necessário

                Is.55.2: Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.

8. Honrar a Deus com os nossos bens

                Pv 3.9-10: Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.

9. Contribuir com o trabalho da igreja proporcionalmente ao que se ganha (dízimo)

          Mt 23.23: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e  do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!

          Ml 3.10: Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.

10. Não viver às custas dos outros

               2 Ts.3.7-8,10,12: Pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, nem jamais comemos pão a custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós ...Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma...A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão.

11. Pagar os impostos e tributos devidamente

               Rm 13.6-7: Por este motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. Pagai a todos o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

          Mt 17.24-27: Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.

12. Ser fiel com compromissos assumidos

                 1 Co 4.1-2: Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel.

13. Guardar para os filhos

                 2 Co 12.14: Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás de vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos.

14. Cuidar da sua família

                 1 Tm 5.8: Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.

14. Não ser servo do dinheiro

                 Mt 6.24: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de se aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

15. Ser fiel nas pequenas coisas

                  Lc 16.10: Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco é injusto no muito.

16. Ser fiel com a posse dos outros, ou com facilidades colocadas à nossa disposição

                  Lc 16.12: Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?

17. Ser diligente no cuidado de seus bens e patrimônio

            Pv 27.23-27: Procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos, porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa, de geração em geração. Quando, removido o feno, aparecerem os renovos e se recolherem as ervas dos montes, então, os cordeiros te darão as vestes, os bodes, o preço do campo, e as cabras, leite em abundância para teu alimento, para alimento da tua casa e para sustento das tuas servas.

16. Observar Jesus em seu trabalho:

  1. Jesus como estudante

Lc 2.46 ... sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas.

  • Foi dedicado
  • Foi obediente
  • Cresceu em sabedoria, graça e estatura perante Deus e os homens

      B. Jesus como carpinteiro

Mc 6.3 ... Não é este o carpinteiro?

  • Foi ensinado por seu pai José
  • Consumiu a grande parte de sua vida (talvez metade de sua vida)
  • Ensina-nos sua humildade (precisava trabalhar?) e a dignidade do trabalho

      C. Jesus como missionário

Jo 19.30  ..Jesus disse: Está consumado!

  • Entendeu e cumpriu sua missão
  • Foi obediente até a morte
  • Realizou algo que só ele poderia fazer

       D. Jesus como intercessor

Hb 7.25 ... pois vive sempre para interceder por eles.

  • Está focado nas pessoas
  • Envolve-se em profundidade
  • Ajuda-nos a vencer os desafios da vida

20. Desenvolver boas práticas na gestão das empresas e dos negócios:

Mt 25.14-30: Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei. Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

A. Segregar funções

a. Na parábola – há o Senhor e o servo, cada qual com seu papel claramente definido.

b. Em uma empresa – acionista, diretor, gerente, financeiro, comercial etc.

c. Problemas quando há confusão nas funções.

B. Delegar e responsabilizar

a. Na parábola – cada qual recebe determinado número de talentos com responsabilidades de acordo com suas capacidades.

b. Em uma empresa – poderes claramente distribuídos com a devida capacitação.

c. Problemas quando há incompatibilidade entre delegação X capacitação.

C. Ser claro e transparente na comunicação

a. Na parábola – o senhor tem uma conversa individual com cada servo na distribuição dos talentos.

b. Em uma empresa – o direcionamento dos serviços deve ser claro.

c. Problemas mais comuns nos relacionamentos e no atingimento dos resultados. desejados têm sua causa, raiz na comunicação.

D. Prestar contas

a. Na parábola – o senhor volta para tomar contas.

b. Na empresa – a prestação de contas deve acontecer em vários níveis: aos acionistas, aos empregados, aos clientes, à comunidade.

c. Problemas culturais  e de resistência restringem essa prática na vida organizacional. Muitos usam a prestação de contas para derrubar outros.

E. Ter claro código de ética

a. Na parábola – há clara distinção ente o que é bom e o que é mal. As atitudes que são esperadas e as que não são desejadas, com as respectivas recompensas.

b. Na empresa – à medida do possível, os aspectos éticos devem ser claramente tratados e refletidos. Assuntos como propinas, pagamento de impostos, trabalho de parentes, compras, clareza na venda dos produtos etc.

c. Problemas acontecem pois muitas vezes os resultados são mais importantes que os meios para obtê-los. As pessoas fazem “besteira” quando colocadas sob pressão.

Conclusões:

• Deus nos quer íntegros e consistentes.

• Deus nos quer atingindo nossas metas e objetivos.

• Deus nos quer recompensar, pois sua natureza é de generosidade!

  1. Obter sustento segundo a vocação pessoal

A Bíblia indica diferentes modelos usados por Deus para trazer sustento e provisão aos seus filhos, dentre os quais se destacam: empreendedor, profissional, servidor público, sacerdote, arrendador, ou dependente. Os diferentes modelos são meios através dos quais o Senhor derrama sua bênção.

  1. O empreendedor é aquele que desenvolve seu próprio negócio, a exemplo dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Ele arrisca-se mais, enfrenta incertezas, saindo do conforto de sua parentela, lançando-se no negócio de conquistar uma nova terra. Nesta categoria incluem-se os empresários, grandes ou pequenos, e também os chamados profissionais liberais, pois dependem diretamente de sua capacidade de empreender.
  2. O profissional é aquele que trabalha, em geral, para o empreendedor. Na Bíblia sempre tem uma posição destacada por ocupar função de confiança. O exemplo do principal administrador de Abraão a quem foi confiada a importante missão de buscar uma esposa para Isaque, desempenhada sob oração, de maneira precavida, inteligente e fiel.
  3. O servidor público é aquele que trabalha para o governo ocupando alguma função para o bem de todo o povo. Desde reis, juízes, legisladores, historiadores, administradores públicos e tantos outros, todos colocados por Deus para promover justiça, paz e bem-estar da sociedade. Um dos exemplos marcantes na Bíblia é José, que foi governador do Egito. Homem cheio de espírito de excelência, foi usado para abençoar todos os povos da terra.
  4. O sacerdote nasceu a partir da Lei dada a Moisés para liderar o povo no culto a Deus. Eles mediavam o relacionamento entre Deus e o povo, incluindo os sacrifícios pelos pecados, e eram sustentados por todas as demais tribos de Israel. Desde que Jesus derramou seu sangue na cruz não mais é necessária a função como no Antigo Testamento. Agora, entretanto, o povo precisa ser pastoreado e cuidado na direção da Palavra de Deus. Estes merecem salário para uma vida digna. Sua fonte vem dos dízimos dados à igreja.
  5. O Arrendador, locador, ou qualquer outro nome que indique alguém que vive do que um capital acumulado pode produzir sob a forma de renda ou juros, através de arrendamento de terra, locação de imóvel, ou juros de recursos financeiros deixados em Bancos. Enquadram-se aqui os aposentados que vivem da previdência pública ou privada.
  6. O Dependente é a última categoria desta relação onde são incluídas as crianças, órfãos, viúvas, ou incapacitados ao trabalho que precisam receber cuidado especial da família, da igreja, ou da sociedade através de seus mecanismos sociais.

O empresário não deve explorar, nem o profissional roubar, nem o servidor público usurpar-se de sua posição de poder, nem o sacerdote explorar a boa fé do povo, nem o arrendador exceder-se em altas taxas, nem falsos dependentes enganarem os que ajudam. Caso contrário, sua riqueza não será fruto da bênção e sofrerão dores. Não importa qual seja o modelo para sua vida, aceite-o com gratidão e aperfeiçoe-o com excelência.

Após ler e meditar sobre esses princípios, resta-nos agora colocá-los em prática. Esse desafio só pode ser totalmente vencido se o Espírito de Deus estiver no controle de nossas vidas. Por isso, ore muito sobre cada um deles em sua vida e submeta-se ao que Ele estará ministrando em seu coração.

Rodolfo Montosa