2 Reis 19.14-19
Nos dias do rei Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu Judá e sitiou as cidades fortificadas, com a intenção de conquistá-las (2 Crônicas 32.1 – NAA). Diante dessa ameaça, Ezequias envolveu seus oficiais e homens valentes na estratégia de tapar as fontes de água fora da cidade, restaurar a muralha, construir torres nela, fazer armas e escudos em abundância. Trouxe essa palavra a todo o povo: Sejam fortes e corajosos, não tenham medo, nem se assustem por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele, porque conosco está alguém que é maior do que o que está com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco está o Senhor, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear as nossas guerras”. O povo se animou com as palavras de Ezequias, rei de Judá (2 Crônicas 32.7-8 – NAA). Quando, finalmente, o exército da Assíria bateu às portas da cidade, trouxe ameaça progressiva: falada (2 Reis 18.19), gritada (2 Reis 18.28) e escrita (2 Reis 19.8-14a). Diante dessa crise, o que fez o rei Ezequias? Orou! Não qualquer oração, mas um tipo de oração que move os céus. Vamos observar quatro princípios nessa oração.
Observe o princípio da busca recorrente: Ezequias recebeu a carta das mãos dos mensageiros e a leu. Então Ezequias subiu à Casa do Senhor e estendeu a carta diante do Senhor (2 Reis 19.14 – NAA). Sua reação foi de estender a carta diante do Senhor e não diante dos seus conselheiros. Sua reação recorrente é percebida desde as ameaças faladas e gritadas: Quando o rei Ezequias ouviu isto, rasgou as suas roupas, cobriu-se de pano de saco e entrou na Casa do Senhor (2 Reis 19.1 – NAA). Imediatamente envolveu o profeta Isaías para auxílio espiritual. Sua reação imediata era fruto de um longo relacionamento vivo com o Senhor, marcado por confiança e fé.
Observe o princípio da mudança de perspectiva: Ó Senhor, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos querubins, somente tu és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra (2 Reis 19.15 – NAA). Ezequias não começou descrevendo o tamanho do problema, mas declarando quem Deus é. Ao reconhecer o Senhor como o único Deus soberano sobre todos os reinos, ele tirou os olhos da ameaça e os colocou na grandeza divina. Desde quando assumiu como rei, colocou o Senhor no centro do Reino de Judá (2 Crônicas 29-31). A oração com essa centralidade traz estabilidade.
Observe o princípio da entrega sincera: Inclina, ó Senhor, os ouvidos e ouve; abre, Senhor, os olhos e vê; ouve as palavras de Senaqueribe, as quais ele enviou para afrontar o Deus vivo. É verdade, Senhor, que os reis da Assíria assolaram todas as nações e suas terras e lançaram no fogo os deuses deles, porque não eram deuses, mas objetos de madeira e pedra, feitos por mãos humanas; por isso, os destruíram (2 Reis 19.16-18 – NAA). Ele não tentou controlar o resultado nem ditar a forma da resposta. Ao colocar a situação diante do Senhor, colocou o Senhor no centro da situação: para afrontar o Deus vivo. Confiou que Deus saberia agir da melhor maneira. Aliás, a oração que move os céus nasce quando o coração abre mão do controle e descansa na soberania de Deus.
Observe o princípio do alinhamento de propósito: Agora, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos das mãos dele, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, ó Senhor, és Deus (2 Reis 19.19 – NAA). Ele pediu livramento, sim, mas não apenas para escapar do perigo. Seu desejo era que, por meio daquela intervenção, todos soubessem que o Senhor é Deus. A oração deixa de ser autocentrada e passa a ser uma expressão de zelo pela glória de Deus.
Essa história nos chama a viver a mesma realidade. Quando o buscamos em primeiro lugar, mudamos nossa perspectiva, nos rendemos e nos alinhamos à vontade do Pai, nossa oração deixa de ser apenas um pedido e se torna um encontro. E toda oração que nasce desse lugar, cheia do Espírito, continua sendo uma oração que move os céus e transforma também a terra, começando dentro de nós.
Pr. Rodolfo Montosa


