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Mensagem de 02.09.18
 

Ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. Então Jesus disse aos seus discípulos: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (Mateus 9.36-38 - NAA).
 

Jesus discerniu que aquelas multidões eram dignas de serem cuidadas (ovelhas), mas estavam abandonadas (que não têm pastor), cansadas (exaustas) e com suas emoções à flor da pele (aflitas). Diante desse quadro, Jesus compadeceu-se. O texto em destaque nos ajuda a compreender qual é a fonte, o alvo e os efeitos da compaixão de Cristo.

A fonte da compaixão de Cristo foi disparada imediatamente ao ver as multidões. Seus olhos foram o gatilho para disparar suas entranhas. No grego, compaixão (splagchnizomai) significa ser “movido pelas entranhas”. Como a palavra não tem a mesma força no português, algumas traduções recorrem a expressões como foi movido por íntima compaixão. A palavra revela a intensidade do impulso que Jesus tinha em favor dos necessitados. Jesus tem um coração compassivo, pois o Pai é compassivo. Jesus teve compaixão como homem, pois refletiu com primor e plenitude a imagem e semelhança de Deus, a imagem do Deus invisível (Cl 1.15), a exata expressão de Deus Pai (Hb 1.3; Jo 14.9). Como declarou Donald Gray, citado por Brennan Manning, “a vida de Jesus sugere que a semelhança de Deus significa alcançar uma vida compassiva. Demonstrar compaixão é ser como Deus, como Aba, como o Filho de Aba”.

O alvo da compaixão de Cristo é claramente identificado e apontado para as ovelhas que não têm pastor. No latim, compaixão (cum + patior) significa “sofrer com”, no sentido de “suportar com”, “lutar com”, “importar-se com”. Indica o movimento de partilhar com outros em momentos de fome, nudez, solidão, dor, perdas, ou mesmo sonhos partidos. Seus olhos estavam voltados para aquele povo perdido e oprimido. Seu alvo eram os pequeninos, indefesos, sem cuidado e sem esperança. Sua compaixão afasta-se de toda autossuficiência, arrogância, prepotência, orgulho (Sl 18.27; 101.5; 138.6), mas tem grande prazer com o humilde e contrito de coração (Sl 51.17; Is 57.15) e está atento para fortalecer e demonstrar compaixão para todo aquele que lhe dedica totalmente o coração (2 Cr 16.9). Jesus se compadece daquele que reconhece ser pequeno, indefeso e dependente do Senhor.

Os efeitos da compaixão de Cristo são experimentados imediatamente quando Jesus diz aos seus discípulos: peçam ao Senhor. A expressão utilizada aqui é de uma petição intensa, clamor, súplica, rogo. A oração, portanto, é indicada como início da solução da aflição daquele povo. Mas não era qualquer tipo de oração, senão a de rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores. Jesus mesmo havia feito isso (Lc 6.12-13), indicando que a solução para suprir as aflições do seu povo está no levantamento de muitos trabalhadores. Os discípulos não foram desafiados para suprirem toda aquela gama de necessidades, nem para saírem recrutando, mas para clamarem ao Senhor que mande pessoas para esse desafio. Eles aprenderam a fazer isso (At 1.21-22; 6.3; 8.4; 13.2; 2 Tm 2.2). Gente cuidando de gente. Muita gente cuidando de muita gente. Trabalhadores sensíveis, dispostos e empoderados para tal. Os alcançados pela compaixão passaram a exercer compaixão. Compaixão gera compassivos. Assim é o reino de Deus.

Não foi qualquer reação, mas de profunda compaixão. Não foi com qualquer pessoa, mas com ovelhas aflitas. Não foi qualquer instrução, mas focada na oração. Não foi qualquer oração, mas focada em pedir por trabalhadores. Não são quaisquer trabalhadores, mas pessoas cheias de compaixão. Segundo o teólogo Matthew Fox, “a definição bíblica de perfeição espiritual é ser compassivo”. Jesus foi perfeito. Para cuidar do coração das ovelhas, compadeceu-se e orientou aos seus discípulos que rogassem por mais trabalhadores. A resposta às aflições da alma está em sermos levantados para cuidar uns dos outros. Vamos desfrutar de sua compaixão e nos tornar canais dela.

Rev. Rodolfo Garcia Montosa